Comparação de Luciano com Careca é constrangedora

Ao marcar contra o Atlético-MG, o atacante Luciano chegou aos 116 gols pelo São Paulo e ultrapassou Careca, que anotou 115.
Essa foi a manchete, desprovida de contexto, reproduzida ontem pela mídia.
A estatística coloca o atual camisa 10 à frente de um dos maiores centroavantes da história do futebol brasileiro.
Qualquer comparação, porém, termina quando os números são examinados com seriedade.
Careca marcou 115 gols em 191 partidas — média superior a 0,6 por jogo.
Luciano precisou de mais de 350 apresentações para alcançar os 116, com média próxima de 0,33 gol por partida.
Quase o dobro de jogos para produzir praticamente a mesma quantidade de gols.
Careca foi o grande nome do Campeonato Brasileiro de 1986, competição em que terminou como artilheiro, com 25 gols, e marcou, na final contra o Guarani, o tento que levou a decisão aos pênaltis.
Também conquistou os Campeonatos Paulistas de 1985 e 1987 e deixou o Morumbi para atuar no Napoli ao lado de Maradona.
Luciano não poderia sequer lustrar as chuteiras de Careca.
A diferença não está apenas na média de gols, mas naquilo que cada um representou dentro de campo.
Careca liderava um São Paulo que disputava títulos, revelava jogadores e se posicionava entre as maiores forças do país.
Luciano tornou-se referência justamente no período em que a mediocridade passou a ser naturalizada no Morumbi.
A camisa 10 do São Paulo já pertenceu a Zizinho, Gérson, Pedro Rocha, Pita, Raí, Leonardo e Danilo, entre outros.
Jogadores de técnica, inteligência e protagonismo, muitos deles decisivos nas maiores conquistas da história tricolor.
Hoje, ela está nas costas de um atacante voluntarioso, tecnicamente limitado e irregular, frequentemente mais lembrado pelas reclamações, provocações e encenações do que pela capacidade de organizar ou qualificar uma equipe.
Para finalizar, o agente de Careca não era ligado ao PCC.

