O efeito Milei na convenção bolsonarista

Por ROQUE CITADINI
A presença do presidente Milei na convenção que lançou o senador Flávio Bolsonaro como candidato à presidência da República não apresentou surpresas.
Milei, que apareceu em estado puro, é isso: ofensas, xingamentos e grosserias.
Parecendo chapado (deve ter trocado o remédio no café da manhã) e vestido como um bêbado que saiu de uma surra num bar na boca.
Seu discurso é o bolsonarismo raiz.
Tudo o que falou é repetido à exaustão pelos principais líderes da extrema direita brasileira.
O que teriam acrescentado os ataques de Milei à campanha?
Nada.
Mesmo para ganhar mais apoios, isso foi nulo.
Milei representa um projeto de mudança radical que o bolsonarismo aplaude, mas não tem coragem de assumir.
Seu alinhamento a Trump não é algo que traga mais votos ao candidato bolsonarista.
Pelo contrário, reafirma a distância de grande parte do eleitorado.
Por outro lado, o “Ibope” da nação Argentina não é dos melhores por aqui e nem em nenhum lugar do mundo.
A Copa do Mundo levou uma maré de críticas ao comportamento portenho (justas ou injustas) em toda a internet.
Além de tudo, os “hermanos” são repetidamente lembrados por atos racistas que não têm aplauso no Brasil, exceto em reduzidas bolsas nazistas.
Milei só ajudou a manter o voto bolsonarista raiz que o senador Flávio já tem consolidado.
A presença de Netanyahu foi apenas simbólica. Em termos de votos, agrada os evangélicos neopentecostais e uma reduzida colônia judia já bem dividida entre direita e esquerda.
Com isso, o filho de Jair Bolsonaro não ganhou nem perdeu votos.
No mais, a convenção foi fraca.
Faltou o vice-presidente, não apareceu nenhum apoio relevante, e o destaque negativo foi a fala da economista Daniela, que deveria ser o sustentáculo para uma mudança liberal.
A fragilidade do que disse trouxe saudade (Meu Deus!) do sempre lembrado Paulo Guedes e assustou até os auxiliares mais simples da Faria Lima.
No mais, a convenção não trouxe apoio nem ideias.
Não é com uma convenção assim que se embala qualquer candidatura.
O resultado foi nulo, inclusive na internet, campo de grande atuação bolsonarista.
*publicado originalmente nas redes sociais de Roque Citadini

