Suborno, Evasão de Divisas e Corinthians

A ex-vereadora Miriam Athiê, presidenciável do Corinthians, foi condenada por improbidade administrativa em processo no qual a Justiça reconheceu o recebimento de R$ 40 mil em vantagem indevida num esquema envolvendo uma empresa de transporte — decisão posteriormente mantida pelo TJ-SP.

Nesta semana, concedeu entrevista à líder da Igreja Renascer em Cristo, Sônia Hernandes.

Sônia, ao lado do marido, Estevam Hernandes, foi presa nos Estados Unidos, em 2007, ao tentar ingressar no país com US$ 56,4 mil não declarados.

No Brasil, o casal foi condenado por evasão de divisas.

Nos Estados Unidos, respondeu pelos crimes de conspiração e contrabando de dinheiro.

Parte da quantia estava escondida na capa de uma Bíblia.

Ambos se declararam culpados perante a Justiça americana e cumpriram pena.

Não poderia haver encontro mais adequado.

Athiê anunciou que será candidata à presidência do Corinthians, contou ter sido apresentada a “Jesus” por Sônia — a quem declarou amor —, não reagiu às declarações da religiosa sobre judeus e palestinos ao tratar de Israel, entre outras passagens da entrevista.

Prometeu também que, se vencer as eleições, não cobrará aluguel da Renascer pelos eventos realizados na Arena de Itaquera.

Ou seja: o Corinthians, mergulhado em dívidas, abriria mão de receita em benefício de eventos promovidos por uma organização que arrecada fortunas, em grande parte, junto a pessoas pobres e menos esclarecidas.

É triste a situação do Corinthians.

Ainda que não vença as eleições — se, de fato, confirmar sua candidatura —, Athiê permanecerá nos quadros políticos do clube, salvo eventual mudança decorrente de decisão judicial.

Afinal, ocupa o cargo de conselheira vitalícia.


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