Raí contra as Bets

Em recente entrevista, o ex-jogador Raí afirmou que “o efeito das bets na sociedade brasileira é devastador”, ressaltou que muitas empresas do setor operam em um ambiente de pouca transparência e revelou ter recusado cerca de quinze propostas de campanhas publicitárias justamente por não querer compactuar com esse universo.
Não surpreendeu.
Sua trajetória sempre esteve alinhada à defesa do que considera melhor para a sociedade.
É irmão do Dr. Sócrates, o que, por si, revela a origem.
A postura de Raí lembra a de Mbappé, que também recusou transformar sua imagem em instrumento de propaganda da jogatina, mesmo sabendo que deixaria milhões de euros sobre a mesa.
Ambos compreenderam que emprestar credibilidade às casas de apostas significa incentivar uma atividade que vem destruindo o orçamento de milhares de famílias.
Enquanto isso, boa parte dos grandes nomes do futebol segue o caminho oposto.
Jogadores que movimentam multidões aparecem diariamente em comerciais e publicações patrocinadas, recebendo fortunas para convencer torcedores — muitos deles jovens e financeiramente vulneráveis — de que apostar é diversão, quando a realidade mostra o crescimento do endividamento, da compulsão e dos dramas familiares relacionados ao jogo.
Toda vez que um ídolo aparece sorrindo ao lado de uma casa de apostas, ajuda a normalizar um negócio que produz milhões de vítimas.
Diretas e indiretas.
Quando pessoas da estatura moral de Raí ou Mbappé recusam desempenhar esse papel, demonstram que ainda existe espaço para responsabilidade e consciência no mundo do esporte.


Fez propaganda para a Caixa no passada, nada de melhor para a sociedade do que um banco estatal