Solução para menores infratores é a educação, não o encarceramento

A Folha publicou, em sua seção de debates, dois textos que defendem posições opostas sobre um tema recorrente: ampliar o tempo de internação de adolescentes infratores ou reduzir a maioridade penal.

O problema é que ambas as propostas partem de uma mesma premissa equivocada: a crença de que o endurecimento da punição é capaz de reduzir a criminalidade.

Não é.

Décadas de experiência, no Brasil e no exterior, demonstram que prisões e unidades de internação têm baixíssima capacidade de prevenir novos crimes.

Servem para retirar temporariamente o infrator das ruas, mas raramente o recuperam.

Em muitos casos, produzem exatamente o contrário: transformam pequenos delinquentes em criminosos mais violentos, fortalecem vínculos com organizações criminosas e alimentam o sentimento de revolta contra a sociedade.

O medo da prisão não impede quem vive sem perspectivas de delinquir.

Quem cresce cercado pela miséria, pela ausência do Estado, pela desestrutura familiar e pela falta de oportunidades dificilmente faz um cálculo racional entre cometer ou não um crime com base na duração da pena.

A lógica é outra.

Por isso, discutir se o jovem ficará internado por três, cinco ou dez anos, ou se passará a responder como adulto aos 16 anos, significa debater consequências, não causas.

A verdadeira política de segurança pública começa na creche, na escola de qualidade, na alimentação adequada, no acesso ao esporte, à cultura, à qualificação profissional e à perspectiva de futuro.

Educação reduz a evasão escolar, amplia oportunidades, fortalece valores de convivência e diminui, de forma consistente, a probabilidade de ingresso na criminalidade.

É um caminho mais lento, menos midiático e incapaz de render discursos inflamados em períodos eleitorais.

Mas é o único que ataca a origem do problema.

Isso não significa defender impunidade.

Quem comete atos graves precisa ser responsabilizado e, quando necessário, privado de liberdade.

O erro está em acreditar que aumentar o tempo dessa privação ou reduzir a idade para aplicá-la resolverá o problema da violência.

Enquanto o debate público insistir em escolher entre duas soluções punitivas igualmente ineficazes, continuará ignorando a única medida capaz de produzir resultados duradouros: investir pesadamente na educação e na formação de cidadãos antes que o crime se torne uma alternativa.

Porque é a escola — e não a cela — que constrói uma sociedade mais segura.

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2 Comentários

  1. Essa é uma discussão interessante, mas penso que é nescessario algo além da educação que tamos acostumados. Hoje vemos diariamente professores da rede pública de ensino reclamando que não conseguem dar aula, que os alunos só ficam no celulares, até uma delegada disse que foi dar uma palestra e viu menores jogando tigrinho e só pararam porque ela ameaçou pedir intervenção policial. Os tempos mudaram, precisamos saber lidar com esses jovens que já nascem com o celular na mão e acham que o crime e a jogatina vai torná-los ricos como os influencers que divulgam e os times de futebol que estampam bets nas camisas.

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