A Copa da intolerância, da exclusão e do racismo

A Copa do Mundo de 2026m disputada nos EUA, México e Canadá, entrará para a história por simbolizar uma das mais constrangedoras demonstrações de intolerância, discriminação e seletividade política já registradas em um evento global.

Enquanto a FIFA vende ao mundo o discurso da inclusão, da diversidade e da união entre os povos, a realidade enfrentada por atletas, jornalistas e delegações de determinados países revela um cenário incompatível com estes princípios.

A seleção do Irã, por exemplo, obrigada, por questões de segurança, a estabelecer sua base no México, foi informada de que deverá entrar e sair dos Estados Unidos no mesmo dia das partidas disputadas em território norte-americano.

Trata-se de uma situação sem precedentes em uma Copa do Mundo.

A discriminação não se limita aos atletas.

Segundo relatos encaminhados à FIFA pela associação internacional da imprensa esportiva, diversos jornalistas iranianos e africanos tiveram seus vistos negados pelas autoridades americanas.

Ou seja, profissionais credenciados para cobrir o principal evento esportivo do planeta são impedidos de exercer sua atividade em razão de sua nacionalidade.

O caso do atacante iraquiano Aymen Hussein é igualmente revelador.

Principal estrela da seleção de seu país e autor do gol da classificação, o jogador foi detido e interrogado por quase sete horas ao desembarcar em Chicago.

Embora posteriormente liberado, outra vítima, o fotógrafo oficial da delegação sequer recebeu autorização para entrar nos Estados Unidos.

Nos últimos anos, atletas, dirigentes, pesquisadores, jornalistas e visitantes de diversos países passaram a enfrentar restrições cada vez maiores para ingressar em território americano.

O futebol, historicamente inclusivo, está sendo utilizado como instrumento de segregação diplomática.

Se um atleta iraniano, iraquiano ou africano passa a ser submetido a um tratamento diferente daquele dispensado a um europeu ou norte-americano, estamos diante de uma afronta ao princípio básico da igualdade esportiva.

Quando jornalistas são impedidos de trabalhar em razão de sua nacionalidade, a liberdade de imprensa também é atingida.

A Copa do Mundo de 2026, salvo improvável correção de rota, corre o risco de ser lembrada como a Copa da intolerância, da exclusão e do racismo institucionalizado.

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