Os uniformes, a polícia, o MP-SP e o vice-presidente do Corinthians

Ontem, com diferença de poucas horas, duas informações circularam a respeito das investigações, pelo poder público, das denúncias que colocam Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, em cenário de possível cometimento de crime em esquema que teria desviado substancial quantidade de uniformes do clube.
Nossa função jornalística, além de repercutir os fatos, é explicá-los.
Vamos a eles.
Antes de tudo isso, houve uma auditoria interna que trata Mendonça, diretamente, sem meias palavras, como partícipe dos desvios.
Dela surgiu a investigação policial.
Há também um fato estranho: por que o inquérito está sendo conduzido no DRADE, a muitos quilômetros de distância do Parque São Jorge — região cercada por diversas delegacias —, justamente sob comando do Dr. Cesar Saad, delegado ligado à diretoria do clube, sobretudo a Fran Papaiordanou, líder do “União dos Vitalícios”, e a Luiz Bussab, integrante do Centrão, ambos bases de sustentação da atual administração?
A proximidade, por óbvio, não é sinônimo de desvio de conduta, mas acaba — porque inerente ao ser humano — influenciando determinadas tomadas de decisão.
Nesse contexto, não surpreende que, apenas dois dias após receber documentos solicitados ao Corinthians — alguns bastante complexos e que demandariam aprofundamento investigatório —, a delegacia tenha peticionado à Justiça pelo arquivamento do caso.
O Ministério Público, no segundo fato relevante do dia, ignorou ou deu pouca importância ao documento, tratado apenas como ato discricionário, ou seja, sem profundidade investigativa, reiterando que as apurações prosseguirão.
E é necessário que isso ocorra.
A verdade precisa vir à tona, seja para implicar criminalmente o possível delinquente, seja para absolver quem eventualmente tenha sido apontado de maneira equivocada.
Por enquanto, o Centrão — grupo de Armando Mendonça no Parque São Jorge — terá que direcionar a habitual bebedeira não à comemoração ensaiada após a divulgação, pelos próprios aliados, do relatório policial, mas às discussões de estratégias jurídicas para um caso que poderá impactar as próximas eleições alvinegras.

