Corinthians x Palmeiras, um teatro de horrores

Da FOLHA

Por TOSTÃO

  • Um jogo é um teatro da vida, mistura de alegria e tristeza, de razão e emoção

Os jogos no futebol brasileiro continuam bastante tumultuados e violentos. No clássico entre Corinthians e Palmeiras ocorreram pontapés, soco na cara, ofensas, reclamações e atos obscenos e machistas. A briga continuou no túnel de acesso aos vestiários. A qualidade da partida foi péssima. A CBF e os tribunais esportivos precisam agir com independência e rigor.

Alguns treinadores agressivos e exibicionistas contribuem para a violência. Abel Ferreira fica possesso e com os olhos esbugalhados mesmo por erros banais dos árbitros. Mereceu a suspensão de oito jogos. Fernando Diniz xinga até os jogadores do seu time e ainda recebe elogios, como se incentivasse os atletas. Zubeldía invadiu o gramado para protestar contra o árbitro.

As críticas a Fernando Diniz costumam ser excessivas nas derrotas, como se ele não fosse um técnico prático. Por outro lado, os elogios ao treinador são geralmente exagerados nas vitórias, como se ele fosse um técnico com ideias diferentes de todos os outros. A fama de ser único começou no Audax, pois ele foi o primeiro técnico no Brasil a jogar com trocas de passes desde o goleiro, o que já existia em alguns times na Europa.

Hoje, no Brasil e em todo o mundo, quase todas as equipes, mesmo as pequenas, tentam jogar dessa maneira. Por causa disso, os adversários passaram a marcar por pressão. Defensores passaram a ser construtores e os atacantes se tornaram defensores. Por outro lado, muitos gols acontecem por desarme próximo à área adversária. Os treinadores e os jogadores precisam saber o momento exato de trocar passes desde o goleiro ou dar um chutão.

Analistas adoram dizer que os times dirigidos por Fernando Diniz são associativos, com vários jogadores próximos para trocar passes e envolver o adversário. Isso já acontecia no passado. Quem tinha talento trocava passes. Quem não tinha dava chutões ou fazia lançamentos longos.

A tendência é alternar, no momento certo e em uma mesma partida, a troca curta de passes desde a defesa com a transição rápida da bola da defesa para o ataque. Não tem de ser uma coisa ou outra.

O jogo de futebol é um teatro da vida, mistura de alegria e tristeza, de razão e emoção, de planejamento e improvisação, de técnica e fantasia. A partida entre Corinthians e Palmeiras foi um teatro de horrores.

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