Ex-presidente do Corinthians descumpre acordo com a Receita Federal

O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, teve novamente bens penhorados e contas bloqueadas por decisão da Justiça Federal, para garantir o pagamento de uma dívida fiscal que, atualizada, chega a cerca de R$ 10 milhões.
A cobrança tem origem em irregularidades tributárias identificadas em 2003, no Espírito Santo.
Segundo apuração da Receita Federal, o grupo ligado ao dirigente — formado por familiares distribuídos em empresas de embalagens tratadas como “de fachada” — teria omitido receitas por meio de um esquema que utilizava “laranjas” para intermediar operações comerciais e evitar o pagamento de impostos.
Em regra, funcionárias capturadas sob ameaças de demissões.
O valor inicialmente sonegado, de aproximadamente R$ 1,15 milhão, foi acrescido de multa de 150%, alcançando quase R$ 2,9 milhões à época.
A 2ª Vara Federal de Vitória (ES) confirmou entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), determinando a execução da cobrança após esgotadas as tentativas de recurso.
Em síntese, empresas ligadas a Sanchez realizavam compras milionárias de matéria-prima com pagamentos efetuados por outras companhias do mesmo grupo, o que caracterizou omissão de receitas e fraude fiscal.
Além disso, em alguns casos, os boletos sequer eram quitados.
Prática semelhante ao chamado “golpe da arara”, no qual CNPJs de fachada são utilizadas para aplicar calotes de forma deliberada.
Sanchez chegou a firmar acordo de parcelamento, posteriormente descumprido.
Diante disso, bens penhorados e valores bloqueados em 2021 — data do acordo — foram transferidos à União.
Os montantes recuperados são irrisórios, possivelmente remanescentes do que teria sido ocultado:
- R$ 7.367,98 (José Sanchez Oller),
- R$ 4.371,14 (Andrés Sanchez) e
- R$ 5.450,29 (Vianna Embalagens EIRELI).
Também foram apreendidos dois veículos ligados ao ex-presidente do Corinthians: Santana 2000 e Audi A4, 1997.
É de conhecimento público — ainda que pouco aprofundado pela polícia — que bens atribuídos a Andrés Sanchez estariam registrados em nome de seu filho, Lucas Sanchez, apontado como “proprietário” de restaurantes, casas noturnas e imóveis, inclusive nos Estados Unidos.

