Proposta de calote na Arena expõe os vícios dos quais o Corinthians segue refém

Ontem, durante entrevista coletiva, o ex-delegado Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, sugeriu um caminho para que o clube, endividado — até a última apuração, em R$ 2,6 bilhões —, retome a saúde financeira:
“Acho que o Corinthians tem que resolver o problema na Caixa.”
“Senão, para de pagar, para de pagar o estádio.”
“Vai pagar as dívidas que temos, que são mais urgentes, para evitar bloqueio.”
“Para de pagar, acabou. Começa por aí.”
“Temos que buscar uma solução, não temos dinheiro.”
Antes da análise, é necessária a informação.
Não existe problema do Corinthians com a Caixa.
Muito pelo contrário: condescendente — até por falta de opção melhor —, o banco engoliu calotes e renegociou a dívida diversas vezes, sempre aplicando juros muito abaixo dos praticados no mercado.
Aprovou, também – noutro gesto de boa vontade, a chamada vaquinha dos “Gaviões da Fiel”.
O que há, de fato, é má gestão.
A arrecadação alvinegra segue batendo recordes ano após ano, superando a marca de R$ 1 bilhão.
Em contrapartida, as despesas não diminuem.
E não se trata de gastos imprescindíveis, mas do alto custo da manutenção de privilégios.
Os cartolas alvinegros estão mais preocupados em se perpetuar no poder — que, em Parque São Jorge, não é barato — do que em adotar medidas necessárias para a sobrevivência da agremiação.
O que falta em coragem sobra em esperteza, sempre em prejuízo do Corinthians.
Deixar de pagar o estádio de Itaquera para manter uma folha de pagamento do futebol proibitiva, os comissionamentos a intermediários e departamentos inúteis em Parque São Jorge — que servem apenas como currais de votos — é punir o que o clube tem de melhor para favorecer a pilantragem que, há décadas, sobrevive de acharcar a instituição.
A proposta, vinda de um presidente de Conselho que, todos sabem, dita os rumos da Diretoria, preocupa e sugere que o tema pode estar sendo discutido internamente.
O Corinthians não pode cometer essa bobagem.
Pagar o estádio, financiado em condições amplamente favoráveis, é muito mais barato do que sustentar departamentos que servem apenas a interesses políticos e representam enorme custo de manutenção em Parque São Jorge.
