Faixa de Gaza puxa a alta global de morticínio

Da FOLHA

EDITORIAL

Resposta brutal de Israel ao ataque do Hamas ultrapassa limites e ajuda a elevar cifra nefasta de óbitos em guerras

Ao longo desta quinta (12), ao menos 36 pessoas morreram em dois ataques aéreos de Israel na Faixa de Gaza.

O Estado judeu afirma que as ações visavam comboios humanitários sob ataque do Hamas, já palestinos dizem que havia membros do grupo terrorista entre os mortos mas também inocentes.

Isso não interessa aos cadáveres, que serão incorporados à conta a ser debitada da sangrenta guerra em curso no exíguo território, com área equivalente a um quarto da cidade de São Paulo.

O gatilho do conflito foi o bárbaro ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, por evidente, porém a continuidade da guerra por conveniência do governo de Binyamin Netanyahu ultrapassou os limites da razoabilidade há bastante tempo.

O ente terrorista já foi dobrado, enquanto os israelenses tiveram tempo para dizimar a estrutura de seus aliados libaneses do Hezbollah, acuar o Irã e ver o fim da ditadura síria que azeitava a roda do horror na região.

Ainda assim, Netanyahu segue com o dedo no gatilho em Gaza. Sem surpresa, o embate foi responsável pela alta global no número de óbitos oriundos de guerras e conflitos, segundo estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, divulgado nesta mesma quinta.

A Pesquisa de Conflitos Armados aponta que as mais de 40 mil mortes no território palestino entre julho de 2023 e junho de 2024, além das 1.170 em um único dia em Israel, ajudaram a puxar o aumento global da contabilidade.

Em comparação com o mesmo período de 2022 a 2023, a alta foi de 37%. Há lacunas assumidas no estudo, como o fato de que o segundo lugar no mórbido ranking, a Guerra da Ucrânia, não computa as milhares de baixas russas.

Entretanto o impacto da carnificina na Faixa de Gaza é enorme, o que levou o Oriente Médio e o Norte da África ao segundo posto nominal em óbitos.

O primeiro, de 14 nações africanas subsaarianas em guerra, empalidece com a comparação proporcional: nelas, há 8,2 vítimas por 100 mil habitantes; em Gaza, mais de 2.100 por 100 mil.

Ao Brasil, que tem lugar na análise devido ao poder do crime organizado, o estudo concedeu uma boa notícia: o país caiu de 6º para 10º no ranking. Ainda assim, é algo a relativizar, dado que muitas das cerca de 50 mil vítimas anuais no país tombaram de forma indireta pela ação de milícias e do tráfico de drogas.

O que é certo, e evidente com a tragédia em curso no Oriente Médio, é que o mundo vive uma de suas eras mais violentas desde a Segunda Guerra Mundial.

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