Conselho Deliberativo do Corinthians e o Circo Romeu Tuma Junior

Anteontem, em vez de tratar do impeachment de Augusto Melo, o Conselho Deliberativo do Corinthians serviu de palco para o Circo Romeu Tuma Junior, em que os palhaços eram os próprios conselheiros.
O ex-policial realiza campanha presidencial escancarada.
Antes do início da reunião, Tuma ordenou a todos que assinassem termo de confidencialidade.
Como se fosse possível guardar segredo contado a 300 pessoas.
Minutos após, tudo o que foi discutido na reunião estava publicado, talvez até com o próprio Tuma de fonte, bem relacionado que é com a imprensa esportiva.
De prático, o que se viu foi um seminário das comissões de conselheiros, que o ex-delegado fez questão de pontuar que criadas por ele, com exposição de nebulosidades da gestão, todas elas, há tempos, conhecidas do público.
Rolos em venda de ingressos, conflito de interesses na contratação do CEO, entre outras espertezas.
De interessante, apenas, o silêncio de Augusto Melo e seus apoiadores, como se dessem de ombros para a possibilidade de impeachment no Conselho – batalha que está perdida – e apostassem tudo nos votos da Assembleia Geral (associados), que é quem, de fato, decidirá pela permanência ou afastamento do presidente.
O futebol deverá decidir a questão.
Para alegria de Tuma, a campanha prosseguirá em nova reunião, porque a de anteontem foi interrompida pela previsível longa duração diante de tantos assuntos colocados em pauta.
O atraso na votação do impeachment está garantido.
A claque do ex-delegado, em êxtase, aplaudiu o ‘grande desempenho’.
Os que não são trouxas, entenderam o que estava acontecendo; alguns sequer se deram ao trabalho de comparecer à reunião.
Tuma parece aguardar o termômetro do resultado do futebol para manobrar o futuro do presidente; se o time sobreviver na Série A, não se descarta readesão; se houver rebaixamento, o rompimento será imediato com a campanha pela sucessão, diante dos eleitores (conselheiros), antecipada sob disfarce de austeridade.

Romeu Tuma Jr. é o único Filhote da Ditadura com nome e sobrenome apropriados a quem tem pedigree adquirido pelo Golpe de 64.