Eleições mostram que todo dia saem de casa um malandro e um paulistano

Da FOLHA

Por FLÁVIA BOGGIO

Caso eles se encontrem, sai negócio; ou um cargo político

Quem acompanhou a apuração das eleições para prefeito em São Paulo viveu emoções semelhantes a uma final de campeonato de futebol.

Para o segundo turno, foram o atual prefeito, Ricardo Nunes (PL), e Guilherme Boulos (PSOL). Nunes somou 29,48% dos votos válidos, enquanto Boulos tem 29,07%. Em terceiro lugar ficou Pablo Marçal, com 28,14% dos votos.

Muitos se decepcionaram com o resultado e relutam em acreditar que tantos paulistanos votaram em um coach goiano que foi condenado por dar golpes em idosos.

Mas, como diz a música final do filme “A Vida de Brian”, é preciso sempre olhar o lado bom da vida. Ou, como dizem todos os “mentores” da internet, toda tragédia é uma oportunidade.

E qual é o lado bom? É que existem pelo menos 1.719.274 paulistanos dispostos a serem enganados.

Você, aspirante a golpista. Há uma multidão com potencial para ser trapaceada a qualquer custo. Seja por golpe, trapaça ou trambique.

Não deixe para os coaches todo esse mercado de golpes e trambiques. Trapaceie um paulistano também e fortaleça a picaretagem local.

São inúmeras as possibilidades de engambelação. Ficar milionário vendendo cursos de como ficar milionário. Não precisa estudar muito, porque faculdade não dá futuro. Só os seus cursos que dão futuro para você. Mas ninguém vai perceber, porque você está em São Paulo.

Aqui o cidadão é capaz de acreditar em qualquer coisa, até que é capaz de subir uma montanha no meio da tempestade. Ou correr uma maratona com problemas cardíacos. Se alguém morrer, foi culpa da falta de “mindset” e de inteligência emocional. Porque só não dá certo pra quem não se esforça o suficiente.

Os paulistanos são as vítimas perfeitas até para os loroteiros de mesa e bar. É só falar que foi de Lisboa a Madri correndo em oito horas. Deu um murro em um tubarão. Um mata-leão em um leão. Uma voadora em um pterodátilo.

Caso alguém tente te desmascarar, é só chamar de “talarico”, apresentar um teste toxicológico falso e dizer que é bandido. Mesmo que você tenha feito sociedade com o PCC, todos vão ficar do seu lado, porque você está em São Paulo.

Porque todo dia sai de casa um malandro e um paulistano. Se eles se encontrarem, sai negócio. Ou um cargo político.

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