No início deste ano, de maneira, até então, inexplicável, o Corinthians repatriou o paraguaio Romero, aproveitando-se do carinho que o torcedor mantinha por ele.

O atleta havia deixado o clube há quatro anos.

Tratava-se de atender aos interesses do agente Beto Rappa, que mantém parceria antiga com o ex-presidente Andres Sanches.

Desde 2014, o intermediário é credor de valores expressivos junto ao Timão.

Na última quarta-feira, diante do fracasso do jogador e do encerramento do mandato do atual presidente, Duílio ‘do Bingo’, Rappa resolveu sair das tratativas amigáveis e partiu para a cobrança judicial.

R$ 11.589.505,78, segundo processo distribuído na 3ª Vara Civil do Foro do Tatuapé.

Para justificar estes valores é necessário contar a história cronologicamente.

Detalhes de um negócio suspeito

Em 05 de junho de 2014 , Beto Rappa cedeu US$ 3 milhões ao Corinthians para que a agremiação adquirisse 100% dos direitos de Romero junto ao Cerro Portenho.

À época, equivalentes a R$ 6,6 milhões.

Pouco após, no dia 30 de junho de 2014, o então presidente Mario Gobbi assinou contrato com Rappa em que repassava 80% dos direitos de Romero, permanecendo o Timão com apenas 20%.

Neste rolo, Gobbi se comprometeu, pelo clube, a recomprar, obrigatoriamente, 30% da parte do agente, estabelecida, com enorme sobrepreço, nos mesmos R$ 6,6 milhões pagos pelos 100%.

Detalhe: a pendência era em dólar: US$ 3 milhões.

“3. OPÇÃO, “RECOMPRA” E PAGAMENTO DOS RESULTADOS3.1. O CORINTHIANS poderá, a seu livre e exclusivo critério, até a data de 31/07/2016, adquirir da EMPRESA 30% (trinta por cento) dos direitos econômicos totais do ATLETA pelo valor global, equivalente em reais e à vista, de USD 3.000.000,00 (três milhões de dólares). Caso exerça a opção, o CORINTHIANS passará a será detentor de 50% e a EMPRESA permanecerá com 50% dos direitos econômicos”

O prazo limite para quitação: 31 de julho de 2016.

Se descumprisse o acordo, o Corinthians teria que adquirir não 30%, mas a totalidade dos direitos pertencentes a Beto Rappa.

O compromisso não foi honrado.

“3.2. Caso não exerça a opção no prazo estipulado no item acima(3.1) o CORINTHIANS, em 01/08/2017, estará obrigado a adquirir a totalidade dos direitos econômicos pertencentes à EMPRESA, pelo mesmo valor em reais investido pela empresa, conforme descrito na cláusula segunda (R$ 6.620.261,76)”

Após o calote, porque interessava a todas as partes manter negociações, em 26 de maio de 2017, Roberto Andrade assinou aditivo para rolagem da pendência.

O prazo agora seria 01 de agosto de 2018.

Já era ponto passivo a obrigação do Corinthians de comprar todos os 80% de Beto Rappa.

Sem nenhum pagamento realizado, a dívida foi estendida, ainda nos US$ 3 milhões, pelo presidente Andres Sanches, desta vez até 14 de julho de 2019.

Outro aditivo, pelas mesmas razões, foi assinado pelo cartola em 23 de julho de 2019, desta vez parcelando os valores convertidos em R$ 11,2 milhões.

Nada foi pago.

Duílio ‘do Bingo’, em 05 de abril de 2021, sob a fiscalização do compliance ligado ao ex-diretor jurídico Herói Vicente, assinou nova prorrogação.

Recalculada, a pendência passou a R$ 13,4 milhões.

A promessa era paga-la em 12 parcelas.

Pela primeira vez o Timão quitou alguma coisa, porém, de maneira parcial, sem cumprir prazos nem mesmo os números estipulados.

No total saíram R$ 6.707.687,28 dos caixas do clube à Beto Rappa.

Por conta dos atrasos, o empresário decidiu executar o restante, com acréscimo de multas e correções, totalizando R$ 11.589.505,78.

Somando o que já foi quitado com a nova cobrança, o preço final de Romero para o Corinthians ficou em R$ 18.297.193,06 (sem contar salários, luvas, etc).


O rolo da contratação

Aditivos assinados por Andres Sanches

Aditivo assinado por Duílio ‘do Bingo’

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