Candidato a Presidente do Corinthians é agente de Matheus Araújo (com áudio e documentos)

Ontem (11), Augusto Melo, no Parque São Jorge, em cerimônia de ‘boca-livre’ com distribuição de farto material de campanha, lançou candidatura à presidente do Corinthians.

Falou-se, porém, pouco de futebol.

Primeiro porque para ganhar as eleições alvinegras trata-se de assunto irrelevante, diante da necessidade de comprar votos doutros setores do clube, em número maior de eleitores do que os de torcedores.

O pleito de um clube reconhecido mundialmente pelo futebol é decidido em negócios de porão realizados nos departamentos de peteca, bocha, sauna e demais irrelevâncias.

Não à toa, para manter o controle do custo dos votos, os candidatos trabalham contra a possibilidade da participação de torcedores nas urnas.

Outra razão para Augusto evitar o tema futebol é a necessidade de esconder seus negócios como intermediário da bola, principalmente o fato de Matheus Araújo, uma das promessas do clube, que, recentemente, teve contrato renovado, ser um de seus agenciados, ainda que através de terceiros.

Em 16 de novembro de 2020, o Blog do Paulinho revelou que o empresário Marino Rosa pagou R$ 250 mil a Augusto pela sociedade na condução da carreira do meia alvinegro, além de outros R$ 250 mil pelo jogador Juan, que foi levado ao São Paulo.

Os atletas são fruto do União Barbarense, clube que o cartola alvinegro arrendou, em outubro de 2018, em parceria com os conselheiros alvinegros Valmir Costa, Claudinei Alves e Rubens Gomes, o Rubão, ex-vice-presidente da era Dualib, que era responsável por conseguir dinheiro para a operação.

Marino Rosa

Em entrevista ao blog, Marino confirmou a operação:

“Paguei R$ 250 mil por cada jogador… para ter o direito de agenciá-los… R$ 500 mil no todo”

“O Augusto me ligou e indicou os atletas… disse que tinha chegado um craque no Corinthians”

“Eu paguei para o Thiago, da Fut Talentos, que deve ter repassado a parte dele”

“Sou amigo do Andres, do André Campoy… não quero me complicar… estou te contando a verdade… não há o que esconder”

A Fut Talentos é uma das empresas utilizada por Augusto Melo para esconder participação nos negócios; ao menos quatro jogadores ligados ao cartola estão, desde que o treinador Zanardi assumiu o São Bernardo, vinculados à equipe do ABC, entre eles o meia Vitinho, que jogou na base do Corinthians.

Zanardi saiu do Timão, junto com Augusto, Claudinei e Valmir, em meio a escândalos de corrupção nas categorias de base do clube.

ÁUDIO REVELADOR

Em áudio, a que o blog teve acesso, Augusto Melo explica a parceiro como fez para maquiar a documentação de Matheus Araújo antes de negociá-lo com o Corinthians, para que pudesse receber sua parte dos recursos sem deixar rastro.

O cartola diz ainda que se o negócio não desse certo, colocaria o jogador no Vitória/BA, clube a quem repassou boa parte da ‘mercadoria’ do esquema com o Barbarense:

“Agora… se for fechar negócio, repito, se for fechar negócio, aí sim… pra gente ficar com os 40% se faz um contrato com o União, profissional do menino, aí do União ‘pra lá’ (Corinthians), igual foi feito com o Juan… fez um contrato profissional… igual foi feito com o (Matheus) Araújo… foi feito um contrato profissional, aí ficou a porcentagem pro União… que do União fica lá pro Thiago… dá mesma forma… lá do União fica pro União, pra nós, pro advogado dele, entendeu?”

“Agora, caso contrário, pode se tentar fazer ‘uma’ direto com o Vitória/BA… precisa ver se o Vitória aceita, se todo mundo aceita, entendeu?”

Ouça o áudio

DINHEIRO NA CONTA DE AUGUSTO MELO

Claudinei, Augusto e Valmir

O Blog do Paulinho teve acesso a diversos repasses de dinheiro, através de transferências bancárias, enviados pelo agente Marino Rosa, quando não à conta de Augusto Melo, para outro de seus parceiros, o intermediário Lima, que também atua na base do Corinthians.

Lima

Alguns de negócios anteriores aos revelados pela matéria.

Melo recebia os valores na conta da empresa ‘Vicla Comercio de Bolsas e Assessórios Ltda’, da qual é proprietário, curiosamente constituída e encerrada num espaço de pouco mais de um ano, em período semelhante ao dos pagamentos efetivados por Marino Rosa.

Abaixo três exemplos de transferências para as contas de Augusto Melo, compreendidas entre dezembro de 2017 (bem antes do acordo com a Barbarense) até julho de 2018.

O Corinthians vive, no momento, um estranho quadro de ausência de candidaturas que, de fato, façam oposição às políticas da gestão que domina o clube há dezesseis anos.

Augusto Melo, que se declara opositor, reúne consigo apoiadores que a ‘Renovação e Transparência’, de Andres, dispensou, além de pessoas que não são bem quistas noutros grupos de Parque São Jorge, no anseio de que possível vitória possa resolver a vida de muitos deles.

Além disso, com a campanha bancada por outros intermediários da bola, além de sócios de currículos preocupantes, o candidato precisará manter, até porque sobrevive disse, o mesmo sistema que infelicita o departamento de futebol – o de parceria com empresários, além da necessidade de cumprir promessas com os departamentos do clube que vier a comprar.

Nesse contexto, que treinador ousaria deixar Matheus Araújo no banco sabendo que trata-se de jogador ligado ao Presidente?

RELEMBRE A OPERAÇÃO BARBARENSE

Pavão, Augusto Melo e Valmir (todos à direita) em reunião no Barbarense

No dia 22 de outubro de 2018, Augusto Melo ‘arrendou’ as categorias de base do União Barbarense, comprometendo-se a viabilizar a participação do clube na Copa São Paulo de Juniores 2019.

O contrato, com prazo estipulado de três meses, foi firmado na pessoa jurídica de José Valdemir da Silva Bezerra (grafado, erradamente, como José Valdemar), que é primo de Valmir, para quem trabalha instalando ar condicionado.

A empresa possui como atividade especificada ‘agenciamento de jogadores’ e teria sido utilizada, também, para negócios na base do Corinthians.

Pelo acordo, 80% de qualquer dinheiro gerado pelos atletas seriam destinados ao grupo de Augusto, com a equipe de Santa Bárbara recebendo apenas 20%.

Inclusive os formados nas categorias de base do clube.

A divisão, de fato, era embolsada, em partes iguais, por cinco pessoas: Augusto Mello, Valmir, Claudinei Alves, Adilson Pavão (que teria emprestado dinheiro aos agentes) e um misterioso empresário de nome Beto.

Beto

Ao Blog, Augusto Melo, quando questionado sobre de que maneira ganharia dinheiro no projeto, respondeu:

“Recebi o convite (para entrar no negócio) de amigos do clube Valmir e Adilsinho”

“Após trabalho realizado, sobre resultados após a Copinha 2019, receberia comissionamento por produtividade”

Sobre se havia contrato assinado com o clube, desconversou:

“Eu não fiz contrato”

Tanto o contrato existe, em nome de terceiro, como o recebimento especificado destoa da explicação, até porque, se mantida a versão de Augusto, a da ‘produtividade’ na Copa São Paulo, seria difícil receber alguma coisa: o clube foi eliminado na 1ª fase, com zero pontos.

Rodrigo Cebola

Logo na chegada ao Barbarense, Augusto Melo demitiu o treinador Rodrigo Cebola, que detonou:

“Isso (mandar escalar jogador de empresário) não acontece comigo. Joga quem estiver melhor”

“Tem garoto que eles trouxeram que estava parado há mais de 2 anos e com o trabalho físico diário e jogos seguidos, se contundiram”

Segundo o portal ‘Todo Dia’, de Santa Bárbara, que travava Augusto e seus parceiros como ’empresários de São Paulo, ao menos 17 jogadores foram levados ao clube:

“As bases foram fatiadas. Augusto Melo e seus parceiros de São Paulo arcaram com os altos custos da Copa São Paulo de Futebol Júnior, de onde o alvinegro saiu sem pontuar mais uma vez, além da montagem das equipes Sub 15 e Sub 17 para o Campeonato Paulista, também com resultados decepcionantes. O time infantil, aliás, deixou o torneio com apenas um ponto conquistado dentre os 36 possíveis”

O Blog do Paulinho conversou com Adilson Pavão, parte no contrato com a Barbarense, que confirmou o teor da matéria do Blog do Paulinho.

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