Advertisements
Blog do Paulinho

Juiz que recebeu dinheiro de Presidente do Conselho do Corinthians é condenado a 39 anos de cadeia

A Corte Especial do TRF-3, em São Paulo, condenou o juiz federal Leonardo Safi de Melo a 39 anos de prisão.

O magistrado foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução de investigação sobre organização criminosa.

Safi era um dos beneficiários de esquema de compra de sentenças intermediado por escritórios de advocacia.

Na relação de seus supostos ‘facilitadores’ estava Alexandre Husni, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians.

Relatório do MPF, datado de 03 de agosto de 2020, revela que o cartola confessou pagamento de R$ 566.638,05 ao magistrado.

A quantia objetivava favorecimento indevido aos Correios, à época cliente Husni:

Diz trecho do documento:

“Alexandre Husni, por sua vez (fls. 2080/2081), confirmou o pagamento de vantagem indevida para o levantamento do alvará nº 3848098, expedido pelo Juiz Federal Leonardo Safi de Melo, em 27/06/2018, no valor de R$ 566.638,05 (quinhentos e sessenta e seis mil seiscentos e trinta e oito reais e cinco centavos), nos autos nº 0025295-97.1993.4.03.6100 (fl. 2083)”

Esperto, o advogado apontou fato prescrito – em que não poderia mais responder pelo suposto crime.

Porém, como veremos adiante, a relação com Leonardo Safi de Melo manteve-se ativa.

O relatório indicava a necessidade de oitiva de Andres Sanches, então presidente do Corinthians, por conta da possibilidade de compra de sentença objetivando evitar o pagamento, pelo clube, de milionárias dívidas fiscais.

A PF chegou ao nome do cartola após citações em quebra de sigilos dos envolvidos.

Sanches, em depoimento recente, confirmou encontro com o juiz corrupto, entregando que o convite para a aproximação partiu, coincidentemente, de Alexandre Husni.

“(Andres Sanches afirma) QUE por intermédio do Vice-Presidente do clube ALEXANDRE HUSNI, foi convidado para um almoço no restaurante La Trambouille, situado na Av. 9 de Julho; QUE não sabia do assunto que seria tratado na reunião, sendo que no local foi apresentado ao Juiz Federal LEONARDO SAFI DE MELO”

Andres garantiu ainda não saber se Husni e o magistrado já se conheciam anteriormente, embora a informação fosse pública, confessada e notória:

“QUE não sabe dizer se ALEXANDRE HUSNI já conhecia o Juiz anteriormente”

O ex-presidente do Corinthians confirmou a solicitação de vantagem indevida do juiz, mas, desmemoriado, não lembrou do valor, embora afirme ter considerado a proposta como ‘extremamente’ indecente.

Sanches garantiu não ter aceitado o acordo, mas, por razões ainda desconhecidas, apesar da gravidade dos fatos, confessou ter escondido o almoço, e seus desdobramentos, dos demais integrantes do Corinthians (diretores, conselheiros e associados), além de não ter contado, também, ao advogado que, até os dias atuais, com permissão do novo diretor jurídico, defende o Timão nas referidas ações:

“QUE esclarece que não chegou a comentar sobre o almoço com LEONARDO SAFI a nenhum outro integrante do clube, tampouco ao advogado JULIANO DI PIETRO que defendia o clube na ação distribuída à 21ª Vara”]

Não consta, por parte do cartola, sequer um Boletim de Ocorrência denunciando a conduta.

É fato que, após o episódio, Husni, mesmo, em tese, tendo colocado Andres Sanches numa ‘roubada’ (segundo a versão do próprio), seguiu prestigiado em Parque São Jorge, saindo da vice-presidência para a chefia do Conselho Deliberativo, com direito a benesses diversas, entre as quais camarote de luxo e doze ingressos no valor, cada um, de R$ 500, em jogos do Corinthians na Arena de Itaquera.

Mesmo após a condenação de Leonardo Safi, as investigações sobre possíveis cumplices e ‘fornecedores’ seguem em andamento no TRF-3.


La Trambouille

Confira trecho do relatório da PF que trata do depoimento de Andres Sanches em inquérito que investiga venda de sentenças do juiz Leonardo Safi de Melo, uma delas, de intermediação confessada por Alexandre Husni:

“(…) afirmou Andres Navarro Sanchez, presidente do clube desportivo, que ele e o diretor jurídico Alexandre Husni foram “convidados para um almoço no restaurante La Trambouille”, sendo que “no local foi apresentado ao Juiz Federal LEONARDO SAFI DE MELO”, que “solicitou diretamente ao declarante valores para beneficiar o clube na ação em trâmite na 21ª Vara” (Id. 137670189)”

“QUE por intermédio do Vice-Presidente do clube ALEXANDRE HUSNI, foi convidado para um almoço no restaurante La Trambouille, situado na Av. 9 de Julho”

“QUE não sabia do assunto que seria tratado na reunião, sendo que no local foi apresentado ao Juiz Federal LEONARDO SAFI DE MELO”

“QUE não sabe dizer se ALEXANDRE HUSNI já conhecia o Juiz anteriormente”

“QUE além do declarante e do Vice-Presidente ALEXANDRE HUSNI, participaram do almoço o Juiz Federal LEONARDO SAFI DE MELO e um outro homem do qual não recorda
o nome”

‘QUE acredita que o acompanhante de LEONARDO SAFI também trabalhasse com o Juiz, sendo que o rapaz possuía aproximadamente 40 anos, estatura aproximada 1,70m e compleição física um pouco acima do peso”

“QUE o Juiz LEONARDO SAFI solicitou diretamente ao declarante valores para beneficiar o clube na ação em trâmite na 21ª Vara”

“QUE não se recorda ao certo o valor solicitado pelo Juiz, contudo, ao que se lembra, o Juiz teria solicitado um percentual sobre o valor da ação”

“QUE achou a solicitação extremamente indecente e sequer deu uma resposta ao Juiz LEONARDO SAFI sobre a solicitação de vantagem”

“QUE esclarece que não chegou a comentar sobre o almoço com LEONARDO SAFI a nenhum outro integrante do clube, tampouco ao advogado JULIANO DI PIETRO que defendia
o clube na ação distribuída à 21ª Vara”

“QUE alega não ter tido nenhum outro contato com o Juiz Federal ou com seu acompanhantes QUE logo após o almoço já ajustou com o Vice-Presidente que não dariam
Prosseguimento à solicitação de vantagem formulada pelo Juiz”

Abaixo, trecho de relatório sobre posterior depoimento de Alexandre Husni, concluído com a indicação da possibilidade (ainda em investigação) do advogado integrar suposta organização criminosa:

“Ouvido em seguida, Alexandre Husni confirmou a versão anterior, também relatando a solicitação de vantagem ilícita, inclusive, posteriormente, mediante “alguns telefonemas de DIVANNIR cobrando uma posição do clube””

“QUE não se recorda exatamente a data, conta do no ano de 2018 recebeu uma ligação do diretor de secretaria da 21ª Vara solicitando ao declarante uma reunião com o Presidente do clube ANDRES NAVARRO SANCHEZ”

“QUE o declarante possuía conhecimento que à época o clube tinha ingressado com uma ação judicial, sendo que DIVANNIR adiantou a declarante que gostaria de falar sobre um processo em trâmite na unidade Judiciária da qual ele era diretor”

“QUE ante a solicitação do diretor de secretaria realizaram um almoço no restaurante La Tambouille, situado na Av. 9 de Julho, não se recordando exatamente a data”

“QUE se compromete a tentar recuperar a data do encontro com base na fatura de seu cartão de crédito”

“QUE participaram do almoço o declarante, o Presidente do Corinthians ANDRES SANCHEZ, o diretor de secretaria DIVANNIR BARILE e o Juiz Federal LEONARDO SAFI DE MELO”

“QUE passaram a falar de amenidades, momento em que o diretor mencionou o mandado de segurança em trâmite na 21ª Vara e solicitou aos representantes do clube algum tipo de vantagem para que o clube obtivesse resultado favorável na demanda proposta na 21ª Vara”

“QUE os representantes da Justiça não chegaram a solicitar valor específico, sendo que o declarante e o Presidente ficaram com receio de negar de imediato a proposta formulada”

“QUE explicaram que não era costume do clube atuar dessa maneira”

“QUE inclusive o declarante acreditava que a questão jurídica era favorável ao clube e portanto não precisariam do auxílio do Juiz para êxito na ação”

“QUE pelo que se recorda a liminar concedida pelo Juiz em sede de embargos de declaração foi anterior ao almoço supramencionado”

“QUE acredita que o almoço foi marcado justamente para manutenção da decisão judicial concedida liminarmente”

“QUE após o almoço o declarante recebeu alguns telefonemas de DIVANNIR cobrando uma posição do clube, sendo que o declarante por receio foi postergando a resposta solicitada por DIVANNIR”

“A constatação de que a atuação da suposta organização criminosa, seja nos casos que são objeto da denúncia, seja naqueles ainda sob investigação, segue a estratégia acima
detalhada, permite não só a viabilidade de sua análise conjunta quanto ao desmembramento ora sob exame, mas também expõe traço particular que torna necessário que o
processamento ocorra integralmente sob a competência do Órgão Especial do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região”

Facebook Comments
Advertisements

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
%d blogueiros gostam disto: