Por unanimidade, Conselho torna-se cumplice da diretoria do Corinthians

Ontem (27), o Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou, como era esperado, o péssimo acordo do clube com a CAIXA, que serve apenas aos interesses dos Monteiro Alves, que passarão toda a gestão sem pagar um tostão da pendência.
A surpresa foi a unanimidade.
Antes, ao menos meia dúzia de pessoas tinham vergonha de jogar sujo contra o clube.
Com este resultado, os conselheiros, assim como ocorrido com os membros do CORI, tornaram-se cúmplices da diretoria, que, com dinheiro em caixa – se houver, seguirá ‘dopando’ o departamento de futebol.
A promessa é utilizar o período de carência para diminuir outra dívida, de quase R$ 1 bilhão, feita com a ajuda dos mesmos que estão no poder há quase quinze anos, porém, basta verificar os recentes empréstimos tomados com ‘bancos’ mal-afamados e agentes de jogadores, mesmo tendo o clube deixado de honrar os pagamentos da Arena há mais de dois anos, para evidenciar o que está, efetivamente, por vir.
Em síntese, o acordo, ainda pendente de formalização com a CAIXA, estabeleceu a dívida em R$ 611 milhões.
Valor que retrata – basta observar os números expostos em balanços oficiais, com fidelidade, a irresponsabilidade da últimas gestões do Corinthians.
A obra da Arena, orçada em R$ 350 milhões, passou para R$ 820 milhões – com ajustes para a Copa do Mundo, mas foi finalizada em R$ 930 milhões.
O Município repassou próximo de R$ 700 milhões em CIDs ao Timão (R$ 450 milhões iniciais).
Onde foi parar esse dinheiro?
O ‘Arena Fundo FII”, cobra R$ 602 milhões do Corinthians em seu último Informe Mensal, sendo mais de R$ 50 milhões em calotes de obrigatórios repasses da arrecadação do estádio de Itaquera; o restante, provavelmente, no contexto da dívida com a CAIXA.
Existe ainda a dívida com a Odebrecht.
A diretoria do Timão acredita que não precisará mais pagar, mas quem decidirá o valor total, avaliado próximo de R$ 200 milhões, será o Conselho da empresa, com provável desdobramento judicial.
Na ação da CAIXA contra o Corinthians, a pendência cobrada era de R$ 536 milhões.
Os R$ 611 milhões acordados revelam R$ 75 milhões de acréscimo somente em juros, o que dá a tônica do tamanho da irresponsabilidade de quem negava a pendência e agora teve que engoli-la em termos piores do que estavam na execução.
Com relação ao cronograma apresentado para quitação dos valores, as parcelas dos ‘naming-rights’ são apontadas como desafogadoras de R$ 15 milhões anuais – embora não existam comprovações dos pagamentos dos dois primeiros boletos -, restando R$ 18 milhões, a cada ano, para serem honrados.
Os pagamentos serão iniciados apenas em 2023, o que, por óbvio, acarretarão novas correções monetárias.
A atual gestão, espertamente, empurrou o problema para as próximas.
De 2023 até 2025, nenhum valor devido sobre a obra do estádio será amortizado, somente os juros da operação.
Depois o clube terá, se não atrasar as parcelas, que pagar, aproximadamente, R$ 33 milhões anuais (R$ 15 milhões de ‘naming-rights’ – se de fato forem quitados – e R$ 18 milhões de seu próprio caixa) ao banco credor, até o ano de 2041.
Quando, durante todas as administrações alvinegras ao longo dos últimos quinze anos, sobraram R$ 18 milhões nos balanços do Corinthians?
Como separar essa quantia, e pagar, paralelamente, as dívidas atuais do clube, que beiram R$ 1 bilhão, mantendo, ainda, uma equipe competitiva de futebol?
Sem a diretoria responder, não apenas com palavras, mas com planejamento razoável para absorção de todas estas despesas/investimentos, além da obrigatoriedade de prestação de contas realmente transparente, qualquer aprovação desta operação seria tão irresponsável quanto a gestão.
Nada disso aconteceu.
O resultado final da esperteza da diretoria e do acovardamento do Conselho Deliberativo será os cartolas de sempre cada vez mais ‘felizes’ enquanto o clube seguirá num pesadelo de dívidas que parece não ter horizonte.
A do estádio, se não houver nova renegociação – e, obviamente, terá – pesará no caixa por, no mínimo, mais 19 anos, apesar de prometida para ser quitada em apenas seis anos pelo ex-presidente que chefia todos os demais.
