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Blog do Paulinho

Abaixo a Lei Rouanet, viva o orçamento secreto sertanejo

Da FOLHA

Por GREGORIO DUVIVIER

Duvido que Paulo Guedes conseguisse produzir uma peça de teatro por meio de lei de incentivo

“Pode falar a verdade”, me pergunta o sujeito na fila de embarque da ponte aérea, com preocupação no olhar. “Você não ganhou dinheiro da Lei Raoni?”

Todo artista brasileiro deve ter ouvido essa pergunta, isso quando é uma pergunta, e não uma acusação: “Devolve meu dinheiro da lei Ruanei!”. Pra muita gente, a crise financeira do Brasil aconteceu porque os artistas gastaram todo o nosso dinheiro com a lei Rualey, Rouadnet, Rihanna ou Anarriê.

Sim, lá em 2016, as parcas leis de incentivo à cultura, em todas as formas e grafias, explicavam tudo: a crise financeira, a nudez nos espetáculos, a adesão dos artistas à esquerda —mesmo a lei tendo sido criada no governo Collor, e os maiores beneficiados serem museus tipo do Amanhã e musicais tipo Broadway (não exatamente instituições soviéticas).

Eu mesmo nunca fui contemplado por lei nenhuma. Nunca nem tentei. Demora muito. E não sei nem mexer com Excel. Mas assisti a peças incentivadas muito boas. E outras muito ruins. Normal. Mas nunca ouvi falar de nenhum desvio milionário de recurso público. A prestação de contas é milimetricamente insuportável. Duvido que Paulo Guedes conseguisse produzir uma peça via lei de incentivo. A conta, lá, precisa fechar. Não dá pra superfaturar, como se fosse uma prótese peniana.

O escândalo dos sertanejos escancara o óbvio. Existem artistas financiados por dinheiro público em troca de alinhamento ideológico. Mas não é através de lei de incentivo. Nunca foi. Os editais são muito demorados e burocráticos. Bolsonaro até deve ter tentado, mas não tem nem inteligência pra arquitetar um esquema vultoso de corrupção via lei de incentivo. E nem precisa. Dá pra desviar dinheiro público sem intermediários. Basta as prefeituras contratarem o artista via orçamento secreto. Como tudo no governo Bolsonaro, acontece ao mesmo tempo fora da lei —e à luz do dia.

Gosto que Gusttavo Lima, que recebeu milhões em verba pública pra shows minúsculos, diz, aos prantos, que nunca compactuou com dinheiro público —provando não saber o que é compactuar, ou dinheiro público. Sérgio Reis argumentou que dinheiro das prefeituras não é verba pública. Sim, as prefeituras não passam de uma MEI cujo prefeito é um CEO e o governo é um cliente.

Não conheço nenhum artista bolsonarista desinteressado. Não à toa, Bolsonaro reúne uma corja de ressentidos. O governo Bolsonaro oferece um último refúgio pra mediocridade —e uma grana legal também.

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