Machismo e racismo

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Como o futebol imita a vida e vice-versa, não surpreende que depois de um treinador agredir uma bandeirinha, um jogador tenha tentado bater numa árbitra.

Assim agiram Rafael Soriano, da Desportiva Ferroviária, do Espírito Santo, contra Marcielly Santos, e Jean Carlos, do Náutico, de Pernambuco, contra Deborah Cecília.

Diante da montanha de músculos de Anderson Daronco nenhum desses valentões jamais se meteu.
Como não se meteria com um deputado o tucano Fernando Cury, apenas suspenso por seis meses quando deveria ter sido cassado por assédio à deputada Isa Penna, agora ofendida também pelo deputado Olim, presidente do Tribunal de Justiça Esportiva da FPF.

Percebe como tudo faz sentido?

Olim é tão machista, a ponto de dizer que a deputada se deu bem com o infamante episódio, que certamente absolveria o treinador e o jogador covardes.

De tão misógino ele é incapaz de pronunciar a palavra, o que o microfone da Assembleia Legislativa captou e Freud explicaria.

A violência de gênero é epidemia nacional, assim como o racismo estrutural que o treinador Roger Machado denuncia com coragem e em vão.

Houvesse a punição necessária e o vereador Camilo Cristófaro não se sentiria à vontade para fazer o que fez, pego de calças na mão com microfone aberto para vomitar o que lhe vai na alma, assim como Mamãe Falei deu-se mal com suas gravações.

A bem da verdade nada disso é novidade no Brasil.

E é óbvio que a barbárie bolsonarista estimula o ambiente.

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