Presidenciável do Corinthians renunciou à presidência da Kalunga em manobra para viabilizar IPO

Paulo Garcia, ao lado do irmão Fernando, na ELENKO Sports

Em 23 de outubro de 2020, o cartola corinthiano Paulo Garcia, após décadas de resistência, transformou a Kalunga, empresa familiar do ramo de papelaria, em S/A, objetivando salvá-la da derrocada através de captação de valores em lançamento de IPO.

O sonho é arrecadar R$ 1 bilhão, no mínimo, com a venda de ações.

Paralelamente, Garcia acompanhava os negócios milionários do irmão, Fernando, no Corinthians.

Há quem desconfie que esse rendimento estaria ajudando a Kalunga a se manter no mercado.

Sem alarde, menos de dois meses depois, no dia 03 de dezembro de 2020, Paulo Garcia renunciou à Presidência da empresa.

Suspeita-se que a surpreendente decisão se deu porque a presença constante do nome do conselheiro alvinegro na mídia, atrelado às peripécias do irmão no submundo da bola – algumas objetos de inquéritos policiais – dificultaria a IPO.

No mesmo mês, Garcia renunciou à disputa da presidência no Corinthians, também como plano, tudo indica, de sair do noticiário e salvar a Kalunga.

No dia 04 de dezembro de 2020, um dia após a renúncia do então presidente, a Kalunga protocolou nova tentativa de IPO, que, meses depois, não prosperou.

O mercado percebeu a manobra quando a empresa empossou José Roberto Menezes Garcia, irmão do cartola, como novo mandatário e realocou Paulo Garcia na condição de Presidente do Conselho de Administração (na mesma data da renúncia):

Os números da Kalunga, segundo recentes balanços, também são fatores complicadores para estimular investidores.

O Capital Social declarado é de apenas R$ 8 milhões.

A dívida, de 2017 até 2020 (os resultados de 2021 ainda não foram divulgados), vem crescendo assustadoramente e já corresponde a 92 vezes o valor da empresa, conforme escalada a seguir:

  • 2017: R$ 490,7 milhões
  • 2018: R$ 563,6 milhões
  • 2019: R$ 611,3 milhões
  • 2020: R$ 738,6 milhões

Em janeiro de 2021, Paulo Garcia tentou reduzir, contabilmente (artificialmente), a pendência, utilizando-se de outra empresa da família, a Spiral.

A manobra, diagnosticada rapidamente, foi mal vista pelo mercado.

Flávio Adauto, Paulo Garcia e Emerson Piovesan

Noutra decisão suspeita, a Kalunga nomeou, na mesma data da renuncia de Paulo Garcia, o contador Emerson Piovesan na condição de membro do Comitê de Auditoria, ou seja, com a obrigação, em tese, de se manter independente dos donos da empresa.

Basta busca simples no Google para verificar a ligação umbilical do auditor com Paulo Garcia, de quem já foi até candidato a vice-presidente do Corinthians, além de ter sido indicado, pelo ‘patrão’, à recente diretoria financeira do alvinegro.

Informações de mercado garantem que a Kalunga, diante dos números ainda a serem apresentados no balanço de 2021, desistiu de tentar a IPO em 2022, para, talvez, retomar a iniciativa em 2023.

Em mantendo manobras suspeitas de administração, além de números tão ruins, não será tarefa das mais fáceis.

Razão pela qual se faz necessária vigilância redobrada no Corinthians, local que costuma servir como tábua de salvação aos interesses de empresários em dificuldades semelhantes.

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