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O embusteiro

EDITORIAL DA FOLHA

Bolsonaro protagoniza espetáculo grotesco no afã de atacar o processo eleitoral

Jair Bolsonaro ofendeu novamente a honra do cargo que ocupa ao oferecer à nação um espetáculo grotesco na quinta-feira (29), quando voltou a lançar suspeitas infundadas sobre as urnas eletrônicas e a defender o voto impresso.

Em pronunciamento transmitido ao vivo na internet, ele reconheceu que as provas que durante três anos prometeu apresentar para demonstrar fraudes que teriam ocorrido nas eleições de 2018 simplesmente não existem.

Foram duas horas de tagarelice, mas tudo o que o chefe de Estado tinha a apresentar eram velhas mentiras, vídeos amadores e teorias delirantes, que apontou como se fossem indícios merecedores da atenção dos responsáveis pela condução do processo eleitoral.

Uma das invencionices recorria a uma animação infantil para especular sobre a possibilidade de manipulação dos códigos da urna eletrônica. O próprio responsável pelo vídeo já admitiu não ter como sustentar que tal violação dos mecanismos de segurança seria factível no mundo real.

Para dar corda à fantasia de que teria vencido no primeiro turno em 2018 se não tivesse ocorrido fraude na totalização dos votos, Bolsonaro exibiu resultados parciais do início da apuração como se colocassem em dúvida os números finais.

Antes que o falatório terminasse, o mandatário ainda acrescentou a tese mirabolante segundo a qual é alvo de uma tramoia dos ministros do Supremo Tribunal Federal, cujo objetivo seria dar a vitória ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas próximas eleições.

As lorotas de Bolsonaro têm sido desmentidas reiteradamente pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas o presidente insiste nelas mesmo assim porque isso constitui parte essencial da estratégia que escolheu para buscar a reeleição.

Ao investir no descrédito do processo eleitoral, ele tenta abrir caminho para contestar o resultado das urnas se a votação lhe for desfavorável. O objetivo não é garantir eleições limpas, mas minar a confiança da população num dos pilares da ordem democrática e incitar seguidores em caso de derrota.

Desinformação, grosserias e disparates constituem um método para tumultuar o ambiente político e fugir de responsabilidades, como ele voltou a demonstrar nesta semana ao tentar mais uma vez culpar o STF por sua omissão na pandemia, desculpa esfarrapada mais uma vez desqualificada pela corte.

Com a popularidade em queda e acossado pelas investigações sobre a negligência no enfrentamento da crise sanitária, Bolsonaro percebe que suas patacoadas convencem cada dia menos. Não parece ver alternativa, entretanto, além de mobilizar os fanáticos dispostos a segui-lo em suas alucinações.

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