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Privadão de Doria no Ibirapuera é tentativa de destruir cartão postal

 Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, que deve ser concedido à iniciativa privada pelo governo de São Paulo

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Governador paulista se distingue de Bolsonaro apenas pelo corte dos ternos

João Agripino Doria, Joãozinho Nove para as vítimas de Paraisópolis, se chegar à presidência da República seguirá sendo diferente do atual ocupante do Palácio do Planalto apenas pelo corte dos paletós.

O descaso pelos direitos conquistados a duras penas pela cidadania seguirá o mesmo.

A Amazônia, se duvidar, será desmatada para dar lugar a intermináveis cadeias de resorts com projetos arquitetônicos tão modernos como de gosto duvidoso

Mister Agripino gostaria mesmo é de ser governador da Flórida.

Seu projeto de concessão do conjunto esportivo do Ibirapuera, agora denominado de Ibirapuera Complex, em aliança com o Condephaat reduzido à maioria doriana depois da exclusão de técnicos das universidades, é a prova disso.

Danem-se o valor arquitetônico da obra de Ícaro de Castro Mello, a memória imortalizada pelo ginásio, o uso das piscinas e pista de atletismo, a opinião da população.

Vale pensar o bairro como unidade de negócio, sempre no consumidor, jamais no cidadão, porque, afinal, acima de tudo está o lucro.

Que lucro? Eis a questão.

Como usual, o projeto cujo complexo está mais para o de vira-latas, promete resultados mirabolantes assim como a privatização da Vale do Rio Doce resultou na tragédia de Brumadinho, porque o investimento em segurança deixou de ser prioridade e causou 270 mortes. E daí? Afinal, todos vamos morrer um dia.

Sem se falar no mau gosto da instalação de edifício que se presta à perfeição ao apelido privadão, de óbvio duplo sentido, e na imprecisão das promessas sobre o uso esportivo, razão de ser do conjunto. A ideia é típica dos espertos no “me engana que eu gosto”.

Não foi por acaso que o presidente do Condephaat, Carlos Augusto Mattei Faggin, também ganhou apelido, este de seus pares arquitetos, como o “Salles do patrimônio”, alusão ao ministro do desambiente, porque liderou a votação, 16 a 8, para passar a boiada contra o tombamento do ginásio do Ibirapuera. Os oito a favor foram os especialistas remanescentes.

Argumenta-se com a precariedade do equipamento, propositalmente sucateado pelo governo, que não se prestaria ao uso poliesportivo. Mentira, simplesmente mentira à luz de todas as competições historicamente nele realizadas, do vôlei ao basquete, do hóquei ao futsal, do tênis ao boxe, ou de show da banda Van Halen ao de Rita Lee.

Importante salientar que o local funciona como escola pública, que além de formar campeões faz gente saudável.

Resta denunciar o absurdo da tentativa de destruir mais um cartão postal de São Paulo, erguido desde 1954 para comemorar o 4º Centenário da cidade, inaugurado em 25 de janeiro de 1957, pouco menos de 11 meses antes do nascimento do bebê Agripino.

Campanhas presidenciais custam caro e o golpe contra o esporte e a saúde pública custará ainda mais caso se consume, com aparência de vingança ao fato de o eleitorado paulistano ter voltado as costas ao ex-prefeito fujão.

O bairro do Ibirapuera tem enorme shopping center e é muito bem servido por hotéis. O chiquérrimo Unique, por exemplo, fica a menos de 2 km do ginásio, como sabe o sr. Agripino.São Paulo não precisa de mais centros comerciais ou hotéis e não pode abrir mão de tão raro e valioso espaço esportivo.

Só a reação da sociedade, como no tenebroso episódio da farinata, impedirá novo atentado contra o interesse público.

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