O COVID-19 e as Torcidas Organizadas

Poucos espaços criticaram as torcidas organizadas – todas elas – de maneira tão incisiva quanto o Blog do Paulinho.
Razões para tal não faltaram.
No período AC (Antes do Covid-19), esses grupos, criados para fomentar alegria e com grande possibilidade de, politicamente, lutarem por conquistas necessárias à sociedade, deixaram-se tomar por elementos nocivos, introduzindo, entre outras coisas, a cultura da violência contra o contraditório.
Adversários esportivos, que nada são mais do que isso, eram tratados como inimigos de guerra, com sentenças de morte declaradas a cada rodada de futebol.
A bela árvore, idealizada na semente, apodreceu
Não era com prazer que eu os criticava, muito pelo contrário, mas com absoluta tristeza e decepção.
Desde menino, sem noção do que se passava nos bastidores, meu local preferido no estádio do Pacaembu era no ‘cantinho’ dos Gaviões da Fiel, em que, a plenos pulmões, sentia-me dentro das quatro linhas contribuindo para o desempenho do Corinthians de meu coração.
Gostava também da Camisa 12, com quem viajei ao estádio do Maracanã para assistir a Final do Mundial de 2000.
A maturidade, porém, fez-me enxergar a triste realidade e, aos poucos, afastei-me desse ambiente que, mesmo frequentado apenas em dias de jogos, há tempos, não era respirável.
Anos depois o destino colocou as ‘organizadas’ em meu caminho profissional.
Eles, atuando como mercenários de um presidente que começava o ciclo de assaltos ao Corinthians, perseguiram-me, tentaram agressões e, se oportunidade tivessem, talvez até coisa pior.
Obviamente, houve vítimas em situação pior, algumas que nem estão mais entre nós.
E veio o COVID-19.
Surpreendentemente, as organizadas destacaram-se.
É elogiável o trabalho realizado por quase todas, distribuindo alimentos, máscaras e demais insumos de necessidade em locais esquecidos pelo poder público, colocando em risco a própria saúde de seus integrantes.
Exatamente como deveria ser, sempre.
Adversários estão sendo tratados como seres-humanos, como no lindo exemplo em que a Dragões da Real ajudou um corinthiano, perdido, a encontrar sua família.
Por que não aproveitar esses tempos de solidariedade para colocar um ponto final no passado e construir um novo futuro ?
Gritar, torcer, até xingar, mas, após o apito final, confraternizar com amigos e adversários à porta do estádio, ou noutro lugar qualquer, em vez de retomar o ciclo violento de outrora.
Ainda é utopia, mas pode virar realidade se as organizadas entenderem o período DC (depois do COVID-19) como grande oportunidade de renascimento e retorno aos ideais projetados inicialmente.

Paulinho, bem que poderia divulgar esta história: https://www.esporteinterativo.com.br/futebolbrasileiro/Torcedores-de-organizada-do-So-Paulo-promovem-reencontro-de-morador-de-rua-com-a-familia-20200511-0042.html