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Com muitos querendo mandar, Palmeiras está em ebulição

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

É muito cacique para pouco índio: até quem saiu, de fato, ficou

Cícero Souza, gerente de futebol do Palmeiras, chegou ao clube junto com Alexandre Mattos, em 2015, e permaneceu no cargo após a saída dele, de quem é homem de confiança.

Souza vinha comandando as negociações com Jorge Sampaoli e é considerado internamente como um dos obstáculos para as contratações tanto de Rodrigo Caetano, do Inter, como de Diego Cerri, do Bahia, tamanha a ligação com o ex-diretor de futebol.

Mattos, por sinal, fez prevalecer a sua indicação para o posto na contratação do ex-diretor do Botafogo, Anderson Barros.

OK, jogo jogado.

Tanto Caetano quanto Cerri estão muito bem onde ficaram e puseram a lealdade aos clubes onde trabalham acima de tudo, no que acertaram segundo o apurado nos bastidores da turbulenta vida esmeraldina.

Só quem tiver vocação para rainha da Inglaterra, como Mauricio Galiotte, aceitaria trabalhar sob o comitê gestor pensado no Palmeiras e incentivado pelo presidente do Conselho Deliberativo, Serafim Del Grande.

É cacique demais para pouco índio. Inegável a estranheza causada pela recusa dos dois profissionais diante do que poderia ser visto como promoção na carreira, principalmente na de Cerri.

De todo modo, registre-se que a patrocinadora Leila Pereira não precisa cumprir, como aqui escrito, a intenção de diminuir seu apoio caso Mattos saísse, já que ele permanece –e não apenas por seguir recebendo 100 mil reais mensais até o fim de 2021, pois é multa estabelecida em contrato e o combinado não é caro nem barato.

Pereira já esteve mais feliz com Galiotte que não honrou acordo feito com ela.

Em meio à crise, quando ficou claro que o Palmeiras não seria campeão, ela pediu uma declaração dele isentando-a de qualquer participação no futebol.

Galiotte concordou, não cumpriu e por isso Pereira andou eximindo-se publicamente de responsabilidades na área.

Credora de cerca de R$ 160 milhões, Pereira faz o que bem entende no clube, até seduzir, no bom sentido, Paulo Serdan, o chefão da Mancha Alvi Verde que ameaça Deus e todo mundo, mas age como cordeiro diante da mecenas.

É o que acontece quando se estabelecem conflitos de interesses entre alguém que mistura os papéis de patrocinadora, conselheira e futura candidata à presidência.

Aliás, as inaceitáveis ameaças e manifestações diante da residência de Mattos, e do escritório de Galiotte, foram decisivas na conversa entre ambos para mudar a aparência e manter a essência.

O escritor italiano Giuseppe Tomaso di Lampedusa morreu aos 60 anos, em 1957, e provavelmente seria palmeirense se vivesse em São Paulo e não em Roma. Ele escreveu “O Leopardo”, mas poderia ter escrito “O Porco” e celebrizado a mesma frase: “Tudo deve mudar para que tudo fique como está”.

Basta somar o clima de desconfiança às relações heterodoxas que envolvem até Neymar pai na vida alviverde para constatar que o simples riscar de um fósforo causará incêndio, sem Água Branca suficiente para apagar.

Uma cisão entre o presidente formal e a de fato dividiria a situação para botar o conselho alviverde no colo da oposição com cerca de 40% dos conselheiros.

Ao brigarem as comadres descobrem-se as verdades.

Melhor evitar altercações.

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1 comentário em “Com muitos querendo mandar, Palmeiras está em ebulição”

  1. Parabéns Juca, quando se trata de esporte, ninguém no Brasil exceto ex jogadores como Tostão ou Paulo Cesar Caju, escrevem como vc. Outro dia mesmo, eu escrevi aqui que o “presidente” Cone-head Galinhoti, não passa de uma rainha da Inglaterra. Pois, quem manda mesmo no time verde pra ser campeão mundial (de verdade), é a Dona. Ou melhor, a Tia Leila. E 51 é cachaça.

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