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Petraglia e Rede Globo debatem sobre divisão das Cotas de TV aos clubes

A FOLHA de hoje publicou duas manifestações distintas à respeito da divisão de cotas de TV aos clubes brasileiros.

Mario Celso Petraglia, mandatário do Athletico/PR criticou o sistema.

A Globo, através do diretor Fernando Manuel Pinto, defendeu.

Leia, logo abaixo, e tire suas conclusões:


Por MARIO CELSO PETRAGLIA

Não querem desenvolver o futebol, mas um ou dois clubes

Uma vez favorecido, sempre favorecido. Todo monopólio parte do princípio de que não é aberta a outros a participação no grupo daqueles que controlam um sistema e determinam as regras que o operam. Toda iniciativa para mudar qualquer ordem nessa dinâmica tende a ser frustrada, pois o teto de cada um é preestabelecido pelos próprios organizadores desse sistema.

É importante fazer este ponto antes de começar a responder à questão trazida para este debate: “O modelo de divisão das cotas de TV para os clubes de futebol é adequado?”

Nós, do Athletico Paranaense, estamos há mais de 20 anos dizendo que não. Antes mesmo de haver questionamentos a respeito dessa adequação. Antes de a mídia se modernizar e de o termo “cotas de TV” soar anacrônico. Antes do streaming, de comunicação multiplataforma, de tecnologia de produção e de transmissão mais acessíveis.

Mas parece que ainda vivemos no Brasil que liga a TV para ver um só canal, com uma só linguagem e abordagem. É algo que permanece há mais de meio século —e os mais favorecidos dizem que “tem que manter isso aí”, agindo pesado contra qualquer mudança.

É determinante a quebra desse modelo para que o Brasil retome seu protagonismo como escola no futebol mundial, pois paramos no tempo.

O sistema não tem interesse em desenvolver o futebol brasileiro, mas em desenvolver um ou dois clubes como se eles representassem todo o país. O consórcio do poder foi bem sucedido na construção dessa pirâmide que distribuiu os clubes em castas.

Se por um lado foi desenhado o organograma de influências, por outro foi determinado o tempo de exposição e de valorização e estabelecidos os personagens nessa pirâmide. O que estamos vendo agora é apenas a consolidação desse plano, que só não havia sido atingida ainda por más gestões.

Criou-se uma narrativa de que toda audiência nacional se interessa e quer ver o Flamengo. Uma euforia fomentada por matérias em clima de mobilização, de que há algo muito importante acontecendo quando o time da ponta da pirâmide joga. E essa ideia de “maior time do país” se manteve, independentemente de resultados.

Como um time com tanto apoio teve tão poucas conquistas, ao longo das décadas, em proporção às suas possibilidades?

Os títulos e o domínio técnico à altura do seu favorecimento só vieram quase 40 anos depois do primeiro campeonato de expressão; e, mesmo assim, durante todo esse tempo, o sistema não se alterou. Nada foi construído para que os mais organizados alcançassem os resultados, mas para que “os escolhidos” possam ser beneficiados de várias formas até que confirmem finalmente sua força. É a típica meritocracia à brasileira.

Imagino se fôssemos nós, do Athletico, com tanto vento a favor. Focamos no trabalho e na competência para forçar uma mudança de patamar à custa de muita ousadia, planejamento, sangue e suor.

O paradoxo é que, justamente quando o objetivo é alcançado, o sistema mostra sua saturação: a discrepância fica tão contrastada que expõe o favorecimento. Fica clara a necessidade de redistribuição dos valores, mais em linha com o cenário esportivo e tecnológico atuais. Fica gritante a urgência da mudança na legislação que permita o aporte de capital internacional nos clubes, como é há tempos nos maiores centros do futebol, e fazer com que os melhores atletas do mundo joguem em uma liga forte aqui no Brasil.

É preciso mudar para que no futuro não tenhamos apenas um time entrando em campo —e todos perdendo por WO.


Por FERNANDO MANUEL PINTO

Interessa ao detentor dos direitos exibir um torneio desigual?

São frequentes os debates sobre a diferença nas cotas de TV dos clubes brasileiros, assunto relevante, que suscita comparações com mercados internacionais, mas que não é de simples diagnóstico e solução.

O quadro nacional é atípico. Há diversos fatores que, aplicados em conjunto e de forma continuada, levaram a isso: venda individualizada dos direitos da principal competição, a Série A; outros campeonatos nacionais e internacionais, negociados de forma coletiva e distribuindo altos recursos da TV na forma de premiação; e as competições estaduais, onde naturalmente o ganho econômico dos clubes diferencia-se pelo potencial comercial de cada região e torneio.

E as cotas atuais do Brasileirão Série A? Em 2016, em meio a maior concorrência já ocorrida por direitos da Série A, a resposta da Globo foi um novo formato de contratação, atendendo a anseios dos clubes, que batizamos de “Novo Modelo 2019-24”.

Chegamos a acordos individuais com 37 clubes, mas que levam, pela primeira vez, a um formato coletivo e disponível a todos, onde critérios ligados a equilíbrio e meritocracia é que determinam a remuneração de cada clube na Série A, em vez dos valores predeterminados do formato anterior, vigente até 2018 e com apenas 18 clubes sob acordos plurianuais. Esse processo funcionou como “unir o útil a o agradável”: a abordagem foi capaz de promover um modelo coletivo para os clubes.

Na prática, dois terços do total pago pela Globo são distribuídos seguindo práticas internacionais: critérios de igualdade (40% do montante) e de meritocracia esportiva e comercial (30% proporcional ao número de jogos exibidos de cada clube, e não importa a audiência em si; e 30% pela posição final do clube no campeonato, em formato no qual o primeiro colocado recebe apenas três vezes mais do que o 16º lugar). Distâncias encurtadas!

O restante, estimado em um terço do total investido na Série A, refere-se ao pay-per-view (PPV/OTT), em modelo raro no mundo, benéfico ao futebol por gerar receitas extras e variáveis para os clubes —que recebem um percentual das assinaturas— e se conectar aos torcedores com ampla entrega de jogos.

É sabido que a parcela da receita de PPV/OTT ainda é diferente entre os times. Clubes mais populares e/ou com performance esportiva e de marketing de maior destaque tendem a vender mais e, neste formato, recebem maiores receitas do que outros clubes, tal qual se verifica em negócios como sócio-torcedor e bilheteria. Meritocracia comercial.

Fato é que, pela possibilidade de individualização de resultados, alguns clubes miraram ali, avaliando as opções diante da disputa pelos direitos, diferenciais que o restante do modelo não acomodaria. Quando clubes atuam individualmente é natural que essa dinâmica de mercado crie espaço para diferenciações.

Afinal, qual interesse teria um detentor de direitos em exibir uma competição desequilibrada, com apenas algumas equipes fortes?

Alguns defendem ainda que essa —agora menor— diferenciação da cota de TV seria a principal razão para o sucesso esportivo de determinados clubes. Uma afirmação difícil de sustentar ao vermos campanhas e performances tão diferentes de clubes que recebem valores próximos.

O “Novo Modelo 2019-24” jamais teve pretensão de ser perfeito, seria impossível diante dos enormes desafios. Miramos um grande passo! Aprimoramentos, a partir de agora, dependem do reconhecimento dos avanços conquistados e, sobretudo, dos passos que a partir deles podem ser dados. Essa é uma agenda das mais importantes para o futebol brasileiro.

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1 comentário em “Petraglia e Rede Globo debatem sobre divisão das Cotas de TV aos clubes”

  1. Os 18 clubes não apadrinhados pela Globo, deveriam se juntar, sob o comando de Mário Petraglia, e partir para a briga com a toda poderosa. Querem privilegiar Flamengo e Corinthians, não tem problema. Que joguem todos os domingos para aa tvs aberta e fechada .

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