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Futebol pode (e deve) ir além do campo

Da FOLHA

Por RENATA MENDONÇA

Ativismo de Megan Rapinoe é exemplo para craques como Messi e Cristiano Ronaldo

O futebol é, sem sombra de dúvidas, uma das maiores invenções da sociedade. Menos pela beleza de suas jogadas ou gols e muito mais pelo poder que ele tem de mobilizar as pessoas. E é por isso que seria simplista demais reduzir esse jogo tão bonito apenas ao que acontece dentro das quatro linhas.

Talvez o maior nome de 2019 no futebol nesse sentido tenha sido Megan Rapinoe. A americana protagonizou alguns dos lances mais bonitos da Copa do Mundo feminina na França. Levou o troféu de artilheira e o de craque do campeonato —além de ter garantido o tetracampeonato mundial para os Estados Unidos.

Craque em campo, fez, fora dele, mais do que o que qualquer outro jogador do futebol masculino em 2019.

Rapinoe foi uma das únicas atletas americanas a se ajoelhar durante a execução do hino em um jogo da seleção em apoio ao quarterback Colin Kaepernick, que passou a fazer esse gesto em protesto contra o racismo e a repressão policial a negros nos Estados Unidos. Ele sofreu represália e está há três anos sem jogar.

Ela foi a primeira a dizer (e reiterar diante de mais de cem jornalistas durante o Mundial) que não iria à Casa Branca caso a equipe feminina de seu país conquistasse a Copa porque não gostaria de “emprestar essa plataforma para uma administração que não luta pelas mesmas coisas que nós”.

A atacante também deu seu recado à Fifa na coletiva oficial às vésperas da final feminina falando sobre a falta de respeito da entidade com o futebol das mulheres: “Se você se importasse com o futebol feminino da mesma forma que se importa com o masculino, não deixaria a diferença [de premiação] crescer”.

A jogadora lidera as atletas da seleção americana em um processo judicial contra a federação do seu país. Elas reivindicam tratamento igual ao dado para a equipe masculina. Ou seja: não é só “a melhor do mundo” pelo que ela fez nos jogos, mas também pelo que fez para além deles.

“Ah, mas ativismo não deveria premiar ninguém.”

A questão é: Rapinoe não é só ativista, ela é craque. E melhor ainda: uma craque sem medo de se posicionar.

Não há um discurso de Megan Rapinoe em que ela não aproveite a visibilidade que tem para falar das lutas mais importantes para a sociedade: racismo, machismo, homofobia. Pode procurar todos os cinco discursos de Cristiano Ronaldo nos prêmios de Bola de Ouro que ganhou e os seis de Lionel Messi quando o argentino levantou o troféu. Todos eles agradecem aos companheiros de time, à família, às vezes até falam da rivalidade entre eles.

Nenhum se manifesta sobre a importância de o futebol combater o racismo, diante de tantos acontecimentos lamentáveis que tivemos nesse sentido este ano. Ou sobre quão absurdo é ainda em 2019 o Irã proibir mulheres de frequentar estádios. Nenhuma palavra também sobre os gritos homofóbicos que se espalham em torcidas de clubes do mundo todo.

Como bem disse Rapinoe: “Se realmente queremos mudanças significativas, precisamos de todo mundo se posicionando contra o racismo, contra a homofobia, pela igualdade de pagamentos. Peço a todos para emprestarem a plataforma de vocês para levantar outras pessoas. Compartilhem o sucesso de vocês. Nós temos uma oportunidade única de usar esse jogo tão lindo para mudar o mundo para melhor. Façam alguma coisa. Qualquer coisa”.

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