Aos 59 anos, Maradona senta no trono

Aos 59 anos de idade, completados hoje (30), Diego Armando Maradona segue idolatrado pelos momentos de alegria proporcionados à população argentina.
Ontem, na condição de treinador do Gimnasia La Plata, visitou e venceu o Newell’s Old Boys, sua ex-equipe, enquanto jogador, por quatro a zero.
Mas a recepção ao ‘Pibe’, no estádio Coloso del Parque, em Rosário, foi mais importante, e emocionante, do que o jogo.
Diego recebeu da diretoria do Newell’s um trono, que foi colocado no banco de reservas, para que trabalhasse na condição de Rei, enquanto súditos, nas cadeiras e arquibancadas, ovacionavam-no.
Um momento mágico, emocionante e absolutamente merecido, proporcionado pela humildade, reconhecimento e rara lucidez da cartolagem do futebol.
Maradona chorou, venceu, tornou a se emocionar, autografou o trono e, certamente, celebrará a data com mais alegria.

Por falar no aniversário, o poeta Roberto Vieira, com a sensibilidade habitual, rendeu-se em homenagem a Diego, no texto que reproduzimos logo abaixo:

MARADONA, 59
Por ROBERTO VIEIRA
Duas camas.
Uma sala e quarto.
TV nenhuma.
Assaltos e miséria.
O pibe mestiço na branca Argentina.
Roca não apertaria sua mão.
Evita lhe daria uma camisa.
Peron era seu ídolo.
Um dia na pelada dos Cebolitas.
A bola veio alta.
Inatingível.
Dieguito pulou e descobriu-se imenso.
A mão de Deus fazia gol.
Deus existia e fazia gol.
Ele era Deus.
Um Deus pobre e faminto.
Um Deus craque menino.
Um Deus que sonhava em ser Rei…
