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Quando gremistas e colorados trataram uma garota de 13 anos, violentada, como ‘puta’

Recentemente, o jogador Robinho teve o nome envolvido em dois casos de estupro, em países diferentes.

Na Inglaterra, foi absolvido, enquanto na Itália, condenado a nove anos de prisão, em ação que ainda tramita sob recurso.

Antes e depois dele, tivemos outros jogadores se complicando com o tema, entre os quais Cristiano Ronaldo, que precisou fazer acordo para se livrar das acusações e, agora mais recentemente, Neymar, num caso que ainda engatinha em meio a versões controversas.

Se, nesses exemplos citados, em comprovados os procedimentos dos atletas, a maior parte da sociedade (mas nem todos) demonstrar-se-ia indignada com a monstruosidade, há 32 anos, uma vítima, comprovada, da violência, uniu as torcidas rivais de Grêmio e Internacional, ao ser tratada como ‘puta’.

O caso ocorreu na Suiça e teve como protagonistas quatro jogadores do Grêmio, dentre estes, os mais famosos: Henrique, ex-zagueiro que viria a ser campeão no Corinthians, e Cuca, atual treinador do São Paulo.

Num hotel em Berna (Suiça), no ano de 1987, a garota Sandra Pfäffli, que estava por completar 14 anos, teria sido atraída ao quarto de Cuca quando objetivava pedir autógrafos aos jogadores gaúchos.

Nele estavam, além do atual treinador do São Paulo, mais três de seus companheiros.

Horas depois, trajada com a camisa do Grêmio, Sandra acusou-os, a todos, de tê-la prendido no quarto e a estuprado.

Cuca, Henrique, Fernando e Eduardo permaneceram presos por 28 dias, até que, por intermediação do Governo brasileiro, foram liberados.

Em meio a esse período, diversas reportagens realizadas no Brasil entrevistaram, desde cidadãos comuns até familiares dos atletas, que, de maneira quase unânime, culpavam a garota, de apenas 13 anos, pelo repulsivo comportamento atribuído aos atletas.

Por indicação do querido leitor Igor Munarim, encontramos no canal do youtube de Pedro Janov, matéria que foi ao ar no Fantástico, da Rede Globo, que merece ser vista não apenas para relembrar o assunto, mas como base de estudos para o comportamento humano naquele período.

O processo foi encerrado, dois anos depois, em 1989, com os jogadores admitindo ‘apenas’ relação sexual com uma menor de idade, obrigados, por isso, a indenizá-la em acordo.

Logo após retornarem ao Brasil, Cuca falou à revista Placar e revelou estar ‘traumatizado’, com dificuldades de dormir, mas que a esposa, Rejane e seus familiares acharam a “punição severa demais pela falta que cometemos”.

Abaixo, trecho da entrevista:

Desde então, frequentemente, é atribuído a Cuca certo desequilíbrio psicológico, mesmo nos tempos atuais, em que trabalha como treinador.

À época, na data do retorno dos quatro atletas ao Brasil, a imprensa gaúcha tratava-os como vítimas, assim como torcedores e familiares, todos alegando que os jogadores comportaram-se “como homens” diante da garota.

O preconceito era tamanho que uniu adeptos de Grêmio e Internacional, que, em meio à recepção dos jogadores, juntos, aclamaram os acusados de estupro como se fossem ‘heróis’ e gritavam, em repúdio à vítima, sonoros: “puta ! puta!”.

Muitas cabeças evoluíram, desde então, mas ainda é possível observar, na sociedade brasileira, quem, independentemente de saber quem possui a razão no caso Neymar, uma prévia hostilidade à suposta vítima, tradada, assim como ocorreu com a garota suíça, há mais de três décadas, como se fosse ‘puta’, pelo simples fato de ter adentrado o quarto de um jogador de futebol.

No raciocínio dessa gente, até as garotas de programa, se fosse o caso, que possuem direito a dizer “não!”, merecem ser estupradas.

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