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Conselheiro questiona finanças do departamento de futebol do Palmeiras. Números assustam

Por RICARDO A. GALASSI

(fala ocorrida durante reunião de conselheiros do Palmeiras, em 18/03/2019)

Prezados senhores membros da mesa e demais colegas conselheiros, boa noite!

Inicialmente, gostaria de mencionar (reforçar) que a carta emitida pela empresa de auditoria externa GR Auditores Independentes datada de 8 de fevereiro de 2019 e encaminhada aos conselheiros juntamente com os demonstrativos financeiros e com o relatório da administração, através de e-mail datado de 3 de março de 2019, não tem nenhuma serventia aos propósitos dessa reunião, quais sejam: a aprovação das contas e dos demonstrativos financeiros do ano encerrado em 31/12/2018.

É oportuno recordar que o estatuto transferiu a data de aprovação dos demonstrativos financeiros de janeiro para março do ano subsequente ao da apuração dos resultados justamente para permitir que os conselheiros tivessem acesso às informações, entre elas ao parecer da auditoria externa, com maior antecedência em relação à data da AG Ordinária, para tal finalidade.

Qual não foi a surpresa ao recebermos uma simples carta dos auditores (a pedido da administração da SEP conforme fizeram constar no documento) informando que o trabalho ainda não havia sido concluído e, hoje, decorridos exatos 38 dias da emissão da carta, em plena AG Ordinária, não temos o relatório dos auditores independentes com o Balanço e o DRE revisados, com as correspondentes notas explicativas e com o apontamento de eventuais ressalvas por parte dos auditores.

Dada a situação e considerando que o COF foi mais eficiente do que a empresa de auditoria contratada pela SEP e emitiu parecer recomendando a aprovação das contas com algumas ressalvas relevantes e que nada diferem de fatos que são do amplo conhecimento da maioria desse Conselho Deliberativo, entendemos que as contas devem ser aprovadas em estrito acordo com a recomendação do órgão de orientação e fiscalização.

Como o tempo concedido é insuficiente para uma análise mais profunda das contas do ano encerrado em 31/12/2018, vamos direto ao ponto que consideramos mais crítico na análise das divergências entre os valores orçados e os valores realizados, especificamente em relação às despesas do departamento de Futebol Profissional no ano de 2018.

Em 2018, tivemos receita recorde de aproximadamente R$ 688 milhões e fizemos R$ 30 milhões de resultado (ou seja, apenas 4,36% no bottom line), valor pouco inferior aos R$ 33 milhões projetados no orçamento 2018 com uma receita substancialmente menor.

No futebol profissional, foi orçada despesa de R$ 368 milhões e o gasto efetivo foi de R$ 563 milhões, ou seja, a diretoria de futebol gastou R$ 195 milhões a mais do que havia projetado, estourando o seu orçamento em exatos 53%.

Isso é INADMISSÍVEL, particularmente porque, como deve ser da lembrança dos senhores presentes na reunião do CD de 29/01/2018, quando o orçamento 2018 foi aprovado por unanimidade, a projeção das receitas e das despesas foi classificada como “conservadora” na apresentação da diretoria financeira da SEP (vide páginas 7 e 8 da ata de reunião do CD de 29/janeiro/18).

Mas aí, talvez queiram justificar o gasto exacerbado pelo fato de também terem incrementado a Receita em R$ 203 milhões (valor este correspondente ao realizado de R$ 630 milhões menos o orçado de R$ 427 milhões). Porém, como mencionado naquela reunião, o orçamento da Receita também teria sido projetado em base conservadora (ou seja, sem considerar as receitas extras com prêmios pela conquista de campeonatos e com a venda de jogadores) segundo a diretoria financeira.

Observem que o gasto efetivo no futebol profissional (repito de R$ 563 milhões) chegou a superar a própria receita orçada (de R$ 427 milhões) em R$ 136 milhões. Ou seja, muito provavelmente as vendas de jogadores realizadas em meados de 2018 foram necessárias para fazer crescer a receita e cobrir o buraco causado pela falta de gestão dos gastos no departamento de futebol profissional.

Também em rápida análise, se a gestão do futebol profissional tivesse mantido a despesa dentro do seu orçamento, teríamos gerado resultado econômico de R$ 243 milhões (R$ 688 milhões de receita menos R$ 445 milhões de despesa orçada) e caixa suficiente para pagar as dívidas, inclusive a que foi assumida pela conversão de receita em dívida através dos aditamentos dos contratos de patrocínio vinculados à exploração das imagens dos atletas, fato inédito na contabilidade empresarial.

Concluindo, solicitamos explicações da diretoria a respeito do estouro de R$ 195 milhões nas despesas do Depto. de Futebol (53% do valor orçado), com a indicação das causas e dos seus respectivos valores, lembrando que a venda do atleta Mina contribuiu para atenuar o tamanho do buraco nas contas do Futebol em R$ 12 milhões (valor da venda orçado em R$ 27 milhões contra um valor efetivo de R$ 39 milhões conforme mencionado pela diretoria financeira na página 8 da ata de reunião do CD de 29/01/2018).

Muito obrigado!

Ricardo A. Galassi


EM TEMPO: até o momento, apesar da relevância do tema, a diretoria do Palmeiras não respondeu aos questionamentos.

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1 comentário em “Conselheiro questiona finanças do departamento de futebol do Palmeiras. Números assustam”

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