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Lembrar a história para não repetir o passado

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Hoje é dia de olhar para trás, para 2018; amanhã será dia de olhar para frente

Edmund Burke (1729-1797), pensador irlandês, um dia escreveu que “o povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la”. Estava coberto de razão.

Nós, brasileiros, estamos cansados de cair nessa armadilha, em todos os campos, nos do futebol, inclusive. Muitas vezes, em outras áreas, exatamente por ignorar a história.

Outras tantas, por teimosia ou por ser mais cômodo, porque no reino da mediocridade mais vale rapar o tacho do que mantê-lo cheio e perene.

Neste domingo (30), penúltimo dia do ano, é hora de olhar para os 363 anteriores e buscar soluções para corrigir os inúmeros erros da temporada.  ​

Sem ilusões.

Porque já sabemos de antemão que a maioria dos equívocos se repetirá como vem acontecendo há décadas.

O chato tema do calendário é apenas um deles.

O fato de não nos adequarmos ao calendário mundial já chegou a ser justificado como a razão para o Brasil ser pentacampeão mundial, argumento esfarrapado por querer convencer os incautos de que não foram Pelé, Mané Garrincha, Didi, Romário, os Ronaldos e Rivaldo os maiores responsáveis pela façanha.

Digamos que fosse verdade, que já foi assim.

Parece claro não ser mais, lá se vão quatro Copas do Mundo de fiascosseis anos sem nenhum clube brasileiro subir no ponto mais alto do pódio do Mundial da Fifa.

Pior: há muito tempo nenhum time nacional encanta o planeta bola.

Insistimos em achar que só nós estamos marchando no passo certo.

Na verdade, nem isso.

Cínicos, os cartolas da CBF mantêm o estado de coisas para permanecer no poder graças aos votos das federações estaduais e da cumplicidade/covardia dos seus colegas dos clubes.

Outro erro crasso, cometido na Copa passada, aconteceu, não por falta de aviso, mas pela inexperiência de Tite, estreante no torneio: a resistência em mudar o time numa competição de tiro curto.

Recorra-se a outra frase, do gênio alemão Albert Einstein (1879-1955): “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Morre-se abraçado ao erro não só por lealdade, mas por teimosia.

Tite deveria saber disso pelo que passou no Corinthians, em 2013, quando insistiu em manter a base vitoriosa de 2012.

Tinha a desculpa das conquistas, não se tratava, então, do ensinamento de Einstein, diferentemente do acontecido na Rússia.

O que ocorre em nossos clubes tem outra matriz, chamado resultadismo, neologismo do novo nem tão novo vocabulário do futebol brasileiro.

Nele, fala-se assistência em vez de passe para gol; times reativos no lugar de retrancados; ligação direta para não falar chutão; último terço porque grande área saiu da moda e amplitude, pois jogar pelas pontas os magníficos brasileiros Julinho Botelho e Canhoteiro, e o inglês Stanley Matthews, assim como o espanhol Francisco Gento, já faziam quando a bola ainda era chamada de bola e não de essa bola.

Só para esconder/justificar que o futebol mudou, a ponto de dar “essa bola” para o adversário.

Ora, é claro que mudou e nada contra nem mesmo a renovação de alguns termos.

Tudo contra o taticismo, outro neologismo, e contra as estatísticas muitas vezes usadas para buscar domar o incontrolável, o detalhe, o acaso, o improviso, o humano.

Porque quando perguntaram a Pep Guardiola de onde ele tinha tirado um futebol tão vistoso a resposta veio singela:

“Do Brasil.”

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