Advertisements
Anúncios

A imprensa sob ataque do Governo Bolsonaro

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, na primeira entrevista relevante concedida após as eleições, ao Jornal Nacional, revelou sua verdadeira face, que destoa do “jairzinho paz e amor” montada pelo marketing de sua campanha.

Utilizou a FOLHA como exemplo do que está por vir para os jornalistas que ousarem criticar o sistema.

Bolsonaro, em parte do discurso alinhado com o script, disse ser contrário à censura dos órgãos de imprensa, mas deixou claro que, em descumprimento à lei vigente, manipulará verbas publicitárias aos grandes conglomerados midiáticos, ou seja, retirará dinheiro relevante dos que incomodam (entre os quais a FOLHA), abastecendo a conta dos que se “comportarem”.

Em meio à evidente intimidação, o jornal seguiu adiante, dando continuidade no trabalho crítico ao novo governante.

A postura incentivou diversas manifestações de solidariedade, seja de famosos, como também da população mais simples, reveladas no aumento do volume de assinaturas da FOLHA, com testemunhos diversos de que tratava-se de protesto contra o comportamento fascista do presidente.

Não há dúvidas de que a FOLHA, dona de produtos diversos (entre os quais o UOL e as maquininhas de cartões), que consegue sustentar-se sem a necessidade de auxílio governamental, neste episódio, saiu-se vitoriosa, pela propaganda gratuita, em horário nobre da Rede Globo, do incomodo ocasionado no poder constituído, regra básica do exercício do jornalismo.

Evidentemente, nem todos os grupos de comunicação possuem o mesmo poder financeiro e estão, todos, ameaçados pela chantagem de um Governo que sequer subiu a rampa do Planalto, mas, desde já, revela o perfil antidemocrático da censura e intolerância.


EM TEMPO: A FOLHA PUBLICOU, HOJE, EDITORIAL EM RESPOSTA A JAIR BOLSONARO:

ACOSTUME-SE

A imprensa não deixará de escrutinar o poder porque seus detentores adotam a tática da intimidação

presidente eleitoJair Bolsonaro, parece obcecado com este jornal. No dia seguinte ao pleito, quando tradicionalmente candidatos vitoriosos desfilam com discursos magnânimos, ele se desviou do protocolo e voltou a ameaçar a Folha.

Ao Jornal Nacional, da TV Globo, reclamou de reportagem que em janeiro revelou o emprego indevido de uma servidora de seu gabinete da Câmara dos Deputados. Na época, afirmou, ela estava em férias e por isso foi localizada em Angra dos Reis (RJ), onde o deputado mantém uma casa de veraneio.

Bolsonaro deixou de dizer, no entanto, que exonerou a funcionáriaapós nova visita de jornalistas da Folha ao balneário, em agosto, constatar que o desvio continuava. O Ministério Público abriu investigação para apurar se o deputado cometeu improbidade no caso.

Seria apenas mais um episódio desimportante de memória seletiva de um político se o presidente eleito não tivesse aventado se vingar da Folha quando assumir o Planalto, cortando-lhe verbas publicitárias federais. “Imprensa que se comportar dessa maneira indigna não terá recursos”, afirmou.

Pela primeira vez na história da Nova República, o eleito para servir à Constituição no cargo mais elevado sugere descumprir, uma vez empossado, o princípio constitucional da impessoalidade na administração. Está documentada a afronta, de resto reincidente.

Se mostra disposição para discriminar veículos da imprensa entre amigos e inimigos, que dirá quando os interesses em jogo tiverem mais vulto. Nessa toada logo surgirá a “bolsoburguesia”, composta de empresários palacianos abençoados pelo acesso privilegiado a fundos e regramentos federais.

Não foi ameaça, mas apenas crítica à Folha, tratou de aduzir o advogado Gustavo Bebianno, assessor do capitão reformado, talvez sentindo cheiro de questionamentos formais à frente. A distribuição da verba publicitária, afirmou, obedecerá a critérios técnicos. Este jornal vigiará os próximos lances em situação confortável, pois não depende de propaganda federal.

Depende do público leitor, parte do qual de pronto reagiu à truculência verbal de Bolsonaro e lançou uma campanha espontânea por assinaturas. Depende de seus anunciantes privados, que continuam a confiar na sua marca.

Depende da reputação decantada ao longo de décadas de fidelidade ao cânone do jornalismo profissional —gentilmente reconhecida pelo editor-chefe do Jornal Nacional, William Bonner, diante da parvoíce pronunciada por Bolsonaro.

Veículos como a Folha não deixarão de escrutinar o exercício do poder porque seus detentores de turno resolveram adotar a tática da intimidação. Jair Messias Bolsonaro não precisa aprender a lição. Basta que se acostume com o fato.


NOTA OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA

Advertisements
Anúncios

Facebook Comments

2 comentários em “A imprensa sob ataque do Governo Bolsonaro”

  1. A Folha e seus colunistas tem um vies de esquerda, isso é publico e notorio. Fez um esforço inmenso para desconstruir o Bolsonaro, e naturalmente se auto aplaude bem como os partidarios do PT. Agora, que ele foi eleito Presidente fica dodoi pela reação, queriam flores e gordos cheques? Essa é uma caracteristica diferente do Bolsonzro que deveriam saber, não esconde a mão como fazem os que nos governaram até agora.
    Prefiro pessoas assim, do que aquelas que dao um tapa, escondem a mão e se fazem de inocentes, com estes fomos roubados e são estes a opção da Folha e deste blogueiro. Mas não da maioria dos Brasileiros.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
Powered by
%d blogueiros gostam disto: