Rede Globo omite-se em momento crucial da história brasileira

O TSE negou pedido do candidato Fernando Haddad para que a Rede Globo cedesse-lhe espaço no horário do debate, pré-determinado, de postulantes à presidência, mas que deixará de acontecer pelo não comparecimento, sob frágil justificativa, de Jair Bolsonaro.
A emissora, em momento crucial da história brasileira, omitiu-se.
Faltou, durante o período eleitoral, editorial que esclarecesse ao público a posição oficial da Globo nessa disputa, que limitou-se a protocolar cobertura jornalistica, sem o aprofundamento necessário da questão.
Há de se louvar a tentativa de jornalistas de Globo News, canal a cabo do grupo, que, por vezes, deixavam fazer notar o que pensavam, mas, por conta da audiência, sem o mesmo alcance e relevância.
Deveria a Globo, pelo bem da democracia, mesmo que seguisse sem revelar seu posicionamento, manter, no horário do debate, a oportunidade daquele que não teve medo de expor suas ideias, mesmo sob risco de enfrentar duros questionamentos dos jornalistas da casa – como ocorreu, em exemplo, no Jornal Nacional – concedendo espaço idêntico a Bolsonaro, que poderia abrir mão ou não de utilizá-lo, isentando a emissora da acusação de deslealdade.
Ao cancelar o programa, a Globo, mesmo que não fosse o objetivo, pendeu para o lado do capitão, atendendo a seus desejos, incompatíveis com o comportamento esperado de um líder da nação, frustrando a expectativa da parte ainda indecisa da população.
É inegável que uma exposição de horas no horário nobre global, atingindo público à margem das movimentações em redes socais, decide eleições.
Dependendo do que vier a acontecer no próximo domingo, o erro de comportamento poderá manchar a biografia de quem, recentemente, se viu obrigada a, em editorial, pedir desculpas pelo apoio à ditadura, nos anos 60.
Omitir-se diante de quadro semelhante é pior do que o apoio passado, contextualizado na ignorância do que estava por vir, argumento este que não mais poderá ser repetido em novo pedido de desculpas ao povo brasileiro.

Melhor se omitir do que pender para algum dos lados, como certos blogs.
Mas se o TSE negou, por que a Globo teria que atender? Aí sim, estaria tomando partido. Ele e o outro candidato já vem se manifestando no horário gratuito, nas inserções, e nas reportagens. O que isso acrescentaria? Mesmo porque, com as últimas posições (ou mudanças de posições)
que ele tem tomado só faltou ele dizer que não é mais do PT, que agora pertence a uma “frente democrática”.
De acordo com o que disse o capitão: “quem gosta de conversar com poste é bêbado”, e o bêbado do andraAn está preso em Curitiba.