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Ninguém está sendo enganado nessa eleição. Estamos elegendo Bolsonaro, e sua plataforma de truculências, de caso pensado

Por ADRIANO SILVA*

Em 1989, elegemos Collor, um sujeito que mentia descaradamente. (Chegou a afirmar que ainda não tinha conseguido comprar um três-em-um igual ao de Lula, sendo que era dono de emissoras de rádio.) O engodo era autoevidente.

Collor também jogou muito baixo na reta final da campanha. E só participou do último debate – brilhantemente editado pela TV Globo. Então elegemos Collor de caso pensado. Sabendo que ele mentia, que jogava sujo e que dava uma banana aos eleitores, ao recusar os debates. Só os muito ignorantes votaram enganados.

Os eleitores de Collor relevaram tudo de ruim que havia naquele candidato em nome de um voto no “novo” que era, paradoxalmente, um voto conservador, baseado no medo. Decidiram enxergar só o que queriam enxergar.

Bolsonaro agride, incita, ofende, ameaça. Também fica muito claro, para todos, o quanto ele é fraco, pouco inteligente, despreparado, incapaz de grandes raciocínios e tacanho em sua visão de mundo. É autoevidente.

Bolsonaro também está dando uma banana aos eleitores ao se esconder dos debates no Segundo Turno. Boa parte dos eleitores acha que tudo bem. Não querem testar esse carro antes de comprar. Estão encantados com a foto no folheto que receberam pelo Whatsapp. A realidade é uma grande estraga-prazeres. Deixemos ela de fora dessa eleição.

Os eleitores de Bolsonaro estão relevando tudo de ruim que há nesse candidato, um caminhão de óbvios ululantes, em nome de um voto no “novo” que é, paradoxalmente, um voto conservador, baseado no medo. Estão decidindo enxergar só o que querem enxergar.

Ninguém está votando enganado. Nem a turma das correntes e dos fake news que se alastram pelos celulares. Estamos elegendo Bolsonaro de caso pensado. Só os muito ignorantes estão votando às cegas. A maioria está enxergando claramente do que se trata – e apoiando de modo ferrenho.

Collor recebeu um cheque em branco. Bolsonaro, o novo salvador ex machina, está prestes a receber outro.

A diferença é que o confisco agora aparenta ser não das nossas poupanças, mas de uma série de garantias constitucionais e de liberdades individuais que dão base à civilização em um ambiente democrático e liberal.

*ADRIANO SILVA é CEO da The Factory e Publisher do Projeto Draft

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