Futebol na Era do vídeo

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Do ESTADÃO

Por MAURO CEZAR PEREIRA

Tecnologia pode ajudar, mas é preciso padronizar o uso, para que homens não atrapalhem

A International Football Association Board (Ifab) aprovou, e a Fifa confirmará a utilização dos recursos tecnológicos pelos árbitros na Copa do Mundo deste ano. É inegável que, na comparação com outras modalidades, o futebol demorou a aceitar o socorro em vídeo. Até experiências bem-sucedidas, como a que indica se a bola ultrapassou a linha do gol, não se espalharam. E em meio aos casos de sucesso, houve fracassos.

Hawk-Eye é o sistema utilizado, com êxito, pelos ingleses desde 2013. Quando a pelota entra, o árbitro recebe um sinal. E confirma o tento. Na Premier League estão satisfeitos, mas na França nem sempre correu bem. A ponto de ser suspensa a utilização dos serviços da GoalControl por falhas diversas, como o relógio do apitador informando gol em lance no qual a bola não entrou, e vice-versa.

Pode ser uma questão de eficácia, ou não, do equipamento, ou seja, em tese bastaria a troca de fornecedor. Mas na aplicação do VAR, sigla em inglês para Video Assistant Referees (árbitros assistentes de vídeo), as câmeras captam imagens submetidas a análises humanas. É aí que mora o perigo, amplificado pela inexistência de uma padronização e de limites para a utilização do recurso.

O despreparo da arbitragem com o sistema nas mãos pode sabotar uma partida. Foi o que aconteceu em Londres na quarta-feira. Tottenham, vice-campeão inglês, e Rochdale, lanterna da terceira divisão, se enfrentavam pela Copa da Inglaterra. Jogo simples no qual o mediador, Paul Tierney, se lambuzou com o recurso do vídeo. Foram seis longas interrupções e trapalhadas por 45 minutos.

Ele viu uma falta e anulou gol legal, mesmo com replay mostrando que o atacante que deu a assistência sofreu infração. Marcou pênalti inexistente depois da revisão das imagens, que também utilizou para invalidar o tento na cobrança da penalidade, acusando “paradinha” regular como se desrespeitasse as leis do jogo. Show de horrores de Tierney, coadjuvado por Graham Scott e Darren Cann, dupla que via e revia vídeos e o ajudava a se atrapalhar.

Se na Copa da Inglaterra dois árbitros ficam em uma cabine revendo lances e falando pelo rádio, nas competições sul-americanas o homem do apito olha as imagens num monitor à beira do gramado. Como cada um faz do seu jeito e não há limites para a utilização, as chances de falhas por insegurança, incompetência ou desentrosamento da equipe podem transformar a ferramenta em novo problema.

Na Copa do Mundo, será permitido o uso de imagens em situações específicas. Bom sinal. Mas o sistema continuará a depender da competência humana para reduzir erros, sem interferir no espírito do jogo com constantes, demoradas e desnecessárias paralisações. A tecnologia deve ajudar o futebol, não pode ser transformada em muleta para (maus) árbitros.

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