Qual é a cor da zebra ? Ou da Mala ?

Por JUCA KFOURI

http://blogdojuca.uol.com.br/

Com Fernanda Montenegro nas tribunas do Engenhão (mais de 30 mil pagantes, mais de 36 mil presentes) , como se para convocar a torcida tricolor, e com Deco e Fred no gramado, o Fluminense entrou em campo para fazer três pontos.

Mesmo objetivo do Goiás, é claro.

Só que o que para o time carioca era obrigação, para o goiano era mera pretensão.

No apito, Carlos Simon.

Muricy Ramalho, em busca de seu tetra pessoal, no banco do vice-líder por uma noite, e Arthur Neto no do vice-lanterna não é de hoje.

Ele que  entrou no lugar de Jorginho, engodo de que a cartolagem do Goiás foi vítima, por imaginá-lo como técnico de futebol, o que  está ainda longe de ser.

Aos 15 minutos, um susto.

Berna opera milagre em desvio de Rafael Moura, cara a cara com ele, e a bola vai à trave. Mas o He-Man estava em impedimento.

Chovia no Rio, o gramado estava pesado e o jogo indefinido.

Aos 19, em linda jogada pela direita, Jones pôs na área e Rafael Moura, em estado de graça (seis gols em seis jogos na Copa Sul-Americana, por exemplo), deu a cabeçada mortal que o Flu não imaginava: 1 a 0!

O He-Man que passou pelo Corinthians em 2006 (27 gols em 49 jogos) sem deixar saudades, era aplaudido como nunca pela torcida alvinegra.

Conca era vigiado implacavelmente por Carlos Alberto, outro ex-corintiano,  e Deco, aos 23,  fez a primeira jogada perigosa para o Flu, de fora da área.

O Flu tomava conta do jogo e pressionava.

Amaral se dependurou em Conca dentro da área e Simon ou não viu ou fingiu que não viu, aos 32.

No jogo da TV, ao menos, o pênalti foi claro.

A massa tricolor não parava de incentivar.

E o Goiás tentava repetir o milagre do Flu de Cuca no ano passado, para o que terá de vencer, também, em seu último jogo, no Serra Dourada, o Corinthians.

Em cinco minutos o Goiás recebeu três cartões amarelos, candidato a ficar com 10.

Aos 39, Fred e Conca tabelaram e o empate só não saiu graças ao goleiro Harlei.

O Goiás não conseguia, para sorte do Flu, encaixar nem sequer um contra-ataque.

Mas jogava com uma vontade que fica até difícil dizer que era só por medo do rebaixamento, embora seja razão suficiente.

E o primeiro tempo acabou, aos 47, sem que Simon deixasse, corretamente mas sob protestos,  o Flu bater um escanteio.

Diguinho voltou no time tricolor, no lugar de Deco, e Washington entrou no de Tartá.

Com 22 segundos Carlinhos exigiu boa defesa de Harley.

O Flu estava organizado para jogar pelos cantos do campo.

Com um minuto e meio, Carlinhos cruzou e Conca quase empatou de cabeça.

Afigurava-se um massacre.

Aos 8, Mariano cruzou e Fred cabeceou por cima.

Onde Conca ia, iam dois, às vezes três rivais.

Aos 10, outra chance nos pés de Fred, que chutou sem direção.

O gol estava mais que maduro.

O risco que o Flu corria era o do contra-ataque, mas era necessário corrê-lo.

Marcão, acredite, fazia um partidaço e Carlos Alberto, esgotado, saiu para entrar Jonílson.

Fred deu um toque lindo para Washington, mas o centrovante não conseguiu matar a bola.

Aos 14, Conca soltou a bomba e Harley defendeu com o pé.

Era ataque contra defesa.

Com o campo do Goiás alugado pelo Flu, o jogo era um drama só.

Fred e Conca tramaram bem com Carlinhos que viu Marcão interromper outro ataque tricolor.

Faltam 25 minutos…

Douglas saiu e Wendel Santos entrou.

Aos 25, Washington fez tudo certo. Menos o gol.

O Goiás não conseguia reter a bola no ataque nem no meio de campo. E se defendia, se defendia e se defendia.

Aos 27, quase um gol contra.

E Fred tentou de bicicleta em seguida.

Até de costas tinha zagueiro goiano salvando bolas e Felipe entrou no lugar de Jones, para tentar encaixar um contra-ataque.

Mariano, aos 29, botou na cabeça de Fred, de frente para o gol. A bola subiu.

Aí, bateu o desespero.

Diguinho desperdiçou bom ataque ao tentar um gol do meio da rua.

Aos 34, Rodriguinho entrou no lugar de Fernando Bob.

Três atacantes, tudo ou nada contra a zebra que pastava no Engenhão com suas listras pretas e brancas.

Ou seriam brancas e pretas?

As listras?

Ou a mala?

Aos 37, porém, pênalti em Rodriguinho (brilhava a estrela de Muricy).

Conca empatou.

E o Flu tinha 10 minutos para reassumir a liderança.

Para afastar a zebra, para fechar a mala.

Aos 46, por pouco, Felipe não repôs o Goías na frente.

Mas o empate permaneceu e o Flu agora passa a ter de secar o alvinegro Corinthians, um ponto atrás.

O Goiás, que pena, está praticamente rebaixado.

Ah, se em vez de Jorginho tivesse sido contratado Arthur Neto lá atrás.

Na próxima rodada, o Flu joga contra o São Paulo fora e o Corinthians com o Vitória, também fora.

Não tem nada decidido.

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