Os pontos sem nó da intervenção no Rio

Fabio Guimarães

De O GLOBO

Por BERNARDO MELLO FRANCO

Quando os deputados começaram a discutir a intervenção federal no Rio, ontem à noite, tanques do Exército já cercavam uma das maiores favelas da cidade. O governo adotou a tática do fato consumado. Pôs a tropa na rua antes que o Congresso pudesse votar a medida, inédita desde a Constituição de 1988.

O atropelo reduziu as exigências da Carta a meras formalidades. O Conselho da República, que precisa dar aval à intervenção, nem sequer estava instalado. Michel Temer nomeou quatro integrantes às pressas, em edição extra do “Diário Oficial”. Tudo para cumprir tabela e evitar questionamentos na Justiça.

Na pressa, o governo deixou vários pontos sem nó. Não informou quanto custará a operação, quantos homens serão mobilizados e quem pagará a conta. A União está pendurada no teto de gastos, e o estado não tem dinheiro nem para pagar salários.

Outras perguntas continuam sem resposta. Por que o governo tomou a decisão agora? Um projeto para mudar nome de rua precisa de justificativa, mas o decreto de Temer não traz uma linha sobre suas motivações. Em reuniões fechadas, o presidente citou o noticiário televisivo sobre assaltos no carnaval.

Ontem, quem se preocupava com o risco de excessos no uso da força ganhou mais razões para se preocupar. O comandante do Exército disse que é preciso evitar, no futuro, que uma “nova Comissão da Verdade” investigue as ações da tropa. O ministro da Defesa acrescentou que o governo pedirá mandados coletivos de busca. Segundo Raul Jungmann, isso se deve à “realidade urbanística do Rio”. Está claro que ele se referiu apenas à realidade das favelas, não à dos bairros de classe média.

As lacunas no decreto explicam a atitude de cautela da ministra Cármen Lúcia. A presidente do Supremo foi comunicada na quinta-feira, mas ainda não deu um pio sobre a intervenção. Não é coincidência que só os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes tenham saído em defesa da medida.

Outros fatos do noticiário também são autoexplicativos. Antes de fechar detalhes da operação, Temer já tinha um pronunciamento pronto para a TV. No domingo, ele discutiu suas próximas batalhas com dois generais sem farda: os marqueteiros Elsinho Mouco e Antonio Lavareda.

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4 respostas para Os pontos sem nó da intervenção no Rio

  1. Questão de tempo. Retrocesso. Uma pena não jogar os adoradores de Ustra não estarem no meio, para sentirem na pele o que é uma intervenção militar.

  2. Questão de tempo. Retrocesso. Uma pena não jogar os adoradores de Ustra no meio da confusão, para sentirem na pele o que é uma intervenção militar.(corretor ortográfico maldito)

  3. Tem gente que não sabe a diferença entre intervenção federal (previsto na porcaria da constituição estatal) e intervenção militar.

  4. Não é fácil qualquer tipo de intervenção desse tipo, ocorrer em país democrático, pois passa uma impressão negativa e de fraqueza de instituições.

    Esculhambaram com o RJ. Não importa como fizeram, mas o triste é que fizeram e, infelizmente não se vê uma ser inteligente mostrar uma solução prática para solucionar tudo que passar o RJ, uma lástima.

    A sorte dos que estão no RJ, é não terem no comando das forças interventoras um bandidaço de primeira linha como o Chê. Caso fosse o sanguinário Chê – que até os Castro temiam – ia ter muita morte já no primeiro dia, depois ia ser paredão para todo lado.

    Eu não sei se choro ou se sinto dó dos esquerdotubbies, pois esses pobres seres adoram um bandidaço como o Chê, amam ditador esquerdotubbie, amam paredão, mas criticam a ditadura dos milicos e o lixo do Ustra que, cá entre nós, se comparado ao Chê, ele era um santo.

    Daí eles vem com a conversinha esquerdotubbiestica, que tinha que que acabar com o “fudêncio” e etc., isso não justifica a canalha ditadura esquerdotubbies!!!

    Deve ser difícil para os que pensam, criticar a ditadura dos milicos e amar a ditadura esquerdotubbies!!!

    Agora vou rir dos esquerdotubbies!!!

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