Os magistrados, o juiz do Tatuapé e as eleições do Corinthians

No consciente popular, em regra, magistrados são indivíduos ilibados, de notório saber e que possuem objetivo único de aplicar as leis, com isonomia, sem pender para lado algum.

A realidade, porém, nem sempre é assim.

Exemplo claro foi a notória interferência dos homens do judiciário no andamento das eleições do Corinthians, todas favoráveis, coincidentemente, aos interesses do deputado federal Andres Sanches (PT).

Vamos à cronologia dos fatos:

  • 28 de dezembro de 2017: obscuro associado do Corinthians, Marcio Rasino Hernandes, torcedor do Palmeiras e que nunca havia votado nas eleições do clube, fomentado pelo candidato Romeu Tuma Junior (à época não se sabia quem poderia ser o mandante), ingressou na Comissão Eleitoral do Corinthians com pedido de impugnação a Roque Citadini, até então líder das pesquisas eleitorais, sob argumentação de que não poderia concorrer por se tratar de Conselheiro do TCE-SP;
  • 15 de janeiro de 2018: dezoito dias antes das eleições, a Comissão Eleitoral do Corinthians, composta por desembargadores, emite parecer favorável à impugnação de Citadini, ratificada pelo presidente do Conselho Deliberativo, o também desembargador Guilherme Strenger;
  • 17 de janeiro: Citadini entra com pedido de liminar na 3ª Vara Civil do Tatuapé; o juíz Luciano Gonçalves Paes Leme alega “razões pessoais” e se declara suspeito, jogando a decisão nas mãos do magistrado Luis Fernando Nardelli (que o leitor do Blog do Paulinho conhecerá melhor ao final da matéria);
  • 19 de janeiro: o juiz Nardelli, ao arrepio da lei, nega liminar a Roque Citadini, que somente consegue voltar às eleições do Corinthians no dia 22 de janeiro, por decisão do TJ-SP
  • 24 de janeiro: o Corinthians, administrado pelo grupo de Andres Sanches, recorre da decisão, mas o TJ-SP mantém Citadini na disputa;
  • 29 de janeiro: réu confesso por “compra de votos”, com farto material comprobatório, o empresário Paulo Garcia, dono da Kalunga, que havia entrado na disputa eleitoral em combinação para favorecer Andres Sanches, é impugnado pela Comissão Eleitoral, porém com parecer absolutamente atrapalhado, baseado em leis inaplicáveis ao caso, aparentemente com objetivo de favorecer possível recurso judicial;
  • 29 de janeiro: minutos após a revelação do referido parecer, Paulo Garcia entra com pedido de liminar na 3ª Vara Civil do Tatuapé, e é atendido – repita-se: mesmo diante de inúmeras provas comprometedoras, no dia seguinte, pelo juíz Luis Fernando Nardelli, o mesmo que tentou tirar Citadini da disputa;
  • 30 de janeiro: em procedimento inédito na história do Corinthians, o clube decide não recorrer da sentença de Paulo Garcia, mantendo-o, convenientemente (para Andres Sanches), nas eleições;
  • 31 de janeiro, 01 e 02 de fevereiro: os candidatos a presidente Paulo Garcia, Romeu Tuma Junior e Felipe Ezabella iniciam, em conjunto, campanha intensa de “fake-news”, alguns deles contratando empresas e institutos de pesquisas, que, em contato com eleitores do Timão, divulgam a falsa informação de que Citadini permanecia impugnado;
  • 02 de fevereiro: simultaneamente, pesquisas são divulgadas, em diversos espaços, dando conta de que Paulo Garcia estaria na casa dos 25% de intenções de votos, enquanto Citadini teria apenas 14%, o que, combinado com a estratégia de divulgar a falsa impugnação, jogou para o dono da Kalunga o chamado “voto útil”, daqueles que queriam, a todo curso, ver Andres Sanches fora do Corinthians;
  • 02 de fevereiro, o desembargador Guilherme Strenger, presidente do Conselho Deliberativo, diz em entrevista no ESTADÃO, que aguardava decisão judicial em nova ação contra Citadini, e não tinha certeza se lhe daria posse, mesmo que eleito… detalhe: era improvável que soubesse deste processo, protocolado exatamente neste dia, ou seja, 24 horas após ter conversado com o jornal, pelo candidato Romeu Tuma Junior, o que sugere, talvez, combinação entre as partes;
  • 03 de fevereiro – dia das eleições: descobre-se que as ações (duas) propostas contra Citadini estão em nome de Marcio Rasino Hernandes, e que este foi utilizado como “laranja” por Romeu Tuma Junior

Fica claro, em resumo, que todos os candidatos à presidência do Corinthians, auxiliados pelos magistrados que, há anos, favorecem-se das ligações com os atuais gestores do clube, tinham como objetivo barrar, a todo custo, a possibilidade de vitória do único postulante à vaga que não prometeu cargos, mas sim acabar com os privilégios.

No caso das pesquisas, divulgadas um dia antes das eleições, a distorção é evidente: se antes da migração do voto útil (em exemplo, uma das chapas ao conselho, no dia das eleições, decidiu destinar mais de cem votos, prometidos a outro candidato, para Paulo Garcia), o índice de Citadini seria 14%, por razões evidentes, na hora da abertura das urnas, os números deveriam ser anda menores, porém, a apuração registrou 22%, que, pela lógica, eram ainda maiores no período em que os eleitores foram entrevistados.

O Juíz que tentou impugnar Roque Citadini, mas fez aparente “vistas grossas” a Paulo Garcia

O juiz Luis Fernando Nardelli foi retratado, ontem, em reportagem da FOLHA, que indicava os magistrados que, mesmo possuindo domicílio na capital, faziam uso do “Auxílio Moradia”, de R$ 4,3 mil mensais.

Aliás, no caso deste magistrado, duas dezenas de imóveis, aquisições, aparentemente, incompatíveis com seus vencimentos oficiais.

Diz trecho da FOLHA:

“Ao todo, nove magistrados do TJ-SP e dois do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região ganham o auxílio dos cofres públicos mesmo tendo, cada um, mais de cinco imóveis registrados em seus nomes.”

“O segundo que ganha auxílio e tem a maior propriedade na base de dados da prefeitura é o juiz Luis Fernando Nardelli, da 3ª Vara Cível do Foro Regional 8, de Tatuapé.”

“Há em seu nome 20 imóveis registrados na capital, entre eles apartamentos em Bela Vista, Consolação e Centro. O salário dele é de R$ 28.947,55.”

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2 respostas para Os magistrados, o juiz do Tatuapé e as eleições do Corinthians

  1. Tutti buona gente.

  2. Diego Gomes disse:

    Você foi citado nesse momento pelo Neto, em seu programa “Os Donos da Bola”.

    Dizendo ele que ‘talvez’ você tenha razão pela coisas que publica sobre o Andres…

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