O ano que vem será ao mesmo tempo duro e ótimo para a imprensa

Da FOLHA

Por UIRÁ MACHADO

O ano prestes a começar será muito duro para o jornalismo. As informações circulam num ecossistema já contaminado, e a presença de germes nocivos se intensificará com as eleições.

A lista de agentes infecciosos inclui notícias falsas, propagandas disfarçadas, crimes contra a honra, câmaras de eco, robôs virtuais e filtros invisíveis nas pesquisas, entre outros elementos tóxicos das redes sociais.

Justamente por tudo isso, 2018 também pode ser ótimo para a imprensa.

Em artigo no jornal “USA Today”, o professor de direito Glenn Harlan Reynolds, da Universidade do Tennessee, faz interessante analogia entre o atual estágio da internet e o momento em que os seres humanos passaram a viver em cidades.

Enquanto eram caçadores e coletores, homens e mulheres corriam pouco risco de pegar doenças infecciosas, pois raramente encontravam alguém desconhecido. Quando as urbes reuniram milhares ou dezenas de milhares de pessoas, porém, a coisa mudou de figura e as epidemias se tornaram uma realidade. A contaminação ocorria num piscar de olhos.

Vale a comparação com a circulação de ideias na internet. Antes, a informação se disseminava lentamente; agora, ela se espalha como um raio, sem que se veja de onde veio e para onde vai. Nesse ambiente, os agentes infecciosos das redes sociais estão entre os que mais proliferam.

O controle de doenças nas cidades demandou saneamento, aclimatação e melhorias na alimentação.

Na internet, algo parecido deverá acontecer. Mecanismos de saneamento estão fora de cogitação, pois seriam tomados por censura. Os usuários da rede aos poucos se acostumam com o ambiente virtual.

Quanto à alimentação, o jornalismo tem condições de oferecer as melhorias, produzindo conteúdo de qualidade. Quem quiser informações confiáveis para fazer suas escolhas perceberá que a imprensa profissional é sua aliada. E nada melhor que um ano conturbado para isso ficar claro.

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