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“Corinthians Grande” é a “Renovação e Transparência” de casaca

Andres Sanches, Oldano Carvalho, Fernando Alba, Raul Corrêa da Silva e Marlene Matheus, em Londres, após encontro com Kia Joorabchian
(Foto: Osmar Stabile)

Casaca é uma peça do vestuário masculino com características próprias e utilizadas conforme eventos ou situações distintas, popularizada pelo termo “Ladrão de Casaca”, tradução de título do filme “To Catch a Thief”, do genial Alfred Hitchcock.


Em recente entrevista, o advogado Felipe Ezabella, ex-vice-presidente do Corinthians na mal-afamada gestão Andres Sanches, revelou que o deputado foi apresentado ao grupo, até então denominado “Corinthanos Obesessivos”, por um de seus líderes, Sergio Alvarenga, que depois viria a ser tornar, no Parque São Jorge, engavetador de denúncias ou investigações que pudessem abalar o reinado do parlamentar.

Não contou, porém, os detalhes.

O delegado Mario Gobbi, que viria a suceder Sanches na presidência, em eleição posterior, e que a ele era ligado (hoje em dia sequer pode escutar a menção ao nome do deputado) havia trabalhado como estagiário no escritório de advocacia de Antonio Mariz de Oliveira, atual defensor do presidente Michel Temer, e por meio disso aproximou-se de Alvarenga, genro, naquele momento, do ex-patrão.

No anseio de ingressarem na política alvinegra, alguns advogados passaram a se reunir, criando o grupo “Corinthianos Obessivos”.

Alvarenga, um dos líderes, percebendo que aliar-se a Andres Sanches, que dispunha, naquele período, de farta colaboração financeira de empresários de jogadores , entre os quais, o mais participativo deles, Kia Joorabchian, abreviaria anos de trabalho político não pensou duas vezes em ligá-lo ao grupo, mesmo sabedor da fama do dirigente, que já não era boa, há tempos, no Parque São Jorge.

Anos depois evidenciou-se que o financiamento de campanha bancado pelos agentes da bola obteve espetacular retorno financeiro, com auxílio, primordial, dos “obsessivos” (nas próximas linhas explicaremos).

Aliados à campanha de Andres, os advogados viabilizaram, juridicamente, argumentos que foram utilizados noutra frente do grupo, a mais radical, denominada “Fora Dualib”, que, juntos aos tratados “baixo clero” (ligados ao ex-vice do Timão, Nesi Curi), eram a base da “Renovação e Transparência”.

O nome, inclusive, foi sugerido para ser ligado aos “obsessivos”, até então desconhecidos, mas que, até por isso, passavam a imagem de “renovadores” e “transparentes”, tudo o que os outros participantes nunca foram, e que, descobriu-se depois, estes também não seriam.

A ligação estreitou-se a ponto do “obsessivo” Fernando Alba viajar à Londres com Andres Sanches, Oldano Carvalho, Raul Corrêa da Silva e Osmar Stabile (à época do grupo do deputado), em encontro até hoje mal explicado com Kia Joorabchian.

Na eleição, todos trabalharam e votaram na “Renovação e Transparência”.

Alguns, no caso dos advogados, foram agraciados com os principais cargos, desde o departamento jurídico até o futebol (de base, inclusive), outros, fora do triunvirato baixo clero/obsessivos/fora-dualib, devidamente chutados.

E foi no departamento amador, nas mãos de Fernando Alba, que os agentes de jogadores recuperaram boa parte do investimento eleitoral.

O tempo passou (uma década), traições diversas aconteceram, e os “obsessivos”, que antes defendiam a gestão em unidade, dividiram-se.

Alvarenga segue lustrando as botas de Sanches, enquanto outra parte decidiu-se por discurso oposicionista, com direito a troca do nome “obsessivos”, avariado pelo apoio anterior aos atuais dirigentes, para “Corinthians Grande”.

Os nomes remanescentes, porém, encontram dificuldades de justificar o passado e esconder, em alguns casos, o presente.

O velho discurso, com algumas adaptações, de gestão moderna e transparente contrasta, em exemplo, com a participação de Fernando Alba (que trabalha para ser indicado à presidência), principal responsável pelo sistema de fatiamento de jogadores da base do Corinthians, com evidente favorecimento a empresários do futebol, e que hoje ingressou, também, no ramo de negociação de atletas.

Ezabella, que comporta-se como porta-voz do novo/velho grupo, encontra dificuldades, também, em tratar outro líder do “movimento”, o ex-diretor financeiro Raul Corrêa da Silva, como pessoa de notória honradez, muito em consequência da desastrosa participação do dono da BDO/RCS na gestão financeira alvinegra, responsável que foi pelo indiciamento criminal, em três inquéritos no STF, de dirigentes do Timão, acusados de sonegação fiscal, além de ter sido a assinatura mais presente (inclusive se comparada às dos presidentes) nos contratos do clube com a Odebrecht, implicados sob acusação de corrupção nas investigações da Operação Lava-Jato.

Oldano Carvalho, outro que também esteve em Londres para se encontrar com Kia, segue “acompanhando a relatoria”.

Mas a nova “aquisição” do grupo é absolutamente esclarecedora: o publicitário Evandro Guimarães, tratado como grande nome da profissão, que está sendo utilizado para tentativa de descolar a imagem dos advogados das gestões ligadas a Andres Sanches, mas que, em verdade, era um dos sócios da falida empresa 9INE, ligada a Ronaldo “Fenômeno” (apesar de ambos permanecerem ocultos no papel), que tem negócios notórios com o deputado petista.

Com um discurso que não se sustenta no que se conhece na prática das pessoas que se apresentam como líderes, o “Corinthians Grande” mais parece uma “Renovação e Transparência” de casaca, com identidade “fajutada” (como nos casos de “gato” no esporte), para aparentar menos rodagem do que a realidade.

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