Roberto Andrade revela dificuldade do Corinthians em pagar estádio de Itaquera

Ricardo Corregio (Odebrecht) e Roberto Andrade em Itaquera

Ontem, à rádio Globo, o presidente do Corinthians, Roberto Andrade, ao ser questionado sobre quanto faltava ainda ao clube para quitar a pendência do estádio de Itaquera, respondeu:

“R$ 985 milhões. Não sei exato por conta de juros. Chega no fim, uma hora chega”

Trata-se do exato valor previsto em contrato firmado entre o clube a a Odebrecht.

Ou seja, segundo Andrade, o Timão não diminuiu um centavo sequer da dívida.

Como explicar ?

Vamos falar, assim como revelou o mandatário alvinegro, apenas dos valores básicos, sem contabilizar os juros, que, em verdade, mais que dobram a despesa.

O Corinthians deve R$ 400 milhões ao BNDES e sequer vem pagando as parcelas (R$ 5 milhões), alegando renegociação de contrato.

Para a Odebrecht, o Timão, segundo relatório apresentado pelo Arena Fundo à CVM, restariam pouco mais de R$ 300 milhões a serem honrados, mesmo estando o clube, desde 2014, enviando aos gestores do estádio, em média, R$ 2 milhões mensais, oriundos da arrecadação das partidas alvinegras.

Digamos que, em cálculos aproximados, o clube já tenha repassado quase R$ 60 milhões ao Fundo, observa-se que o montante, além de irrisório diante do contexto, serviu apenas para amortizar os juros das pendências.

Os outros R$ 250 milhões, pouco mais, pouco menos, devidos pelo Corinthians estariam sendo cobrados por misteriosos empréstimos ponte, garantidos pela construtora.

É estranho, porém, que na rádio Globo, Andrade não tenha citado a existência de uma auditoria, contratada pelo Corinthians, que em seu relatório aponta diferença de R$ 250 milhões entre o que o clube contratou e o efetivamente recebido pela construtora, valores que, amparados na revelação do mandatário alvinegro, reduziriam o montante principal à próximos R$ 700 milhões.

Talvez o “esquecimento” deste importante detalhe se dê por conta da atuante participação da diretoria alvinegra em benefício da construtora (com assinaturas de Roberto em anuências de procedimentos, sabe-se, agora, não concluídos), que, segundo a “Operação Lava-Jato”, ampliava o orçamento do estádio à medida que pagamentos de propinas ingressavam nos bolsos da cartolagem corinthiana.

A PF já citou três nomes como beneficiados com pagamentos indevidos: Andres Sanches, André Negão e Vicente Cândido; o Blog do Paulinho revelou a relação comercial de Raul Corrêa da Silva com a Odebrecht, mas corre ainda, em segredo de Justiça, investigações que, dizem, pode revelar outros co-conspiradores, entre os quais o próprio presidente alvinegro e, muito provavelmente, Luis Paulo Rosenberg, mentor intelectual de muitos dos procedimentos comerciais adotados na construção.

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Uma resposta para Roberto Andrade revela dificuldade do Corinthians em pagar estádio de Itaquera

  1. Paulinho, Parabéns pelo trabalho, trazendo o verdadeiro jornalismo.

    Acho que esse estádio nunca será pago, porque o Corinthians tinha certeza que o LULA/PT lá na frente ia esquecer essa divida, mas veio a lava-jato e agora nem o juros vai conseguir pagar, o que vc acha?

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