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Fábrica de brasileiros

A “Operação Lava-Jato”, da Polícia Federal, tem comprovado, nos últimos anos, o que já era de conhecimento público: o povo brasileiro, não apenas os políticos, são originários de uma cultura equivocada que remete, em quase todos os assuntos, ao famoso “toma-lá-dá-cá”.

O Blog do Paulinho teve acesso a uma ação judicial que exemplifica bem os hábitos e costumes da nação.

Em dezembro de 2016, como forma de premiar os melhores alunos, o “Curso do Núcleo Sócio Educativo Maria Helga” levou-os a assistir, no estádio do Morumbi, à uma partida do São Paulo Futebol Clube.

Por conta de número de vagas e do critério descrito, alguns garotos ficaram de fora do passeio.

Inconformada, a Sra. Vivian de Pontes Freitas Prado, mãe de dois deles, Eduardo e Maria Eduarda, ingressou com ação de reparação moral contra o Colégio, porém, o resultado não se deu como esperado.

A diretora da escola, Jurema Neves, comprovou que:

  • Eduardo e Maria Eduarda tiveram, cada um, 15 faltas;
  • Eduardo foi apenado com suspensão por indisciplina;
  • Para justificar a falta de Eduardo, a mãe, Vivian, anexou, na instituição de ensino e no processo, atestado, datado de 27 de Novembro de 2016, no qual consta que o aluno “não poderia ir
    para escola por 28 dias”
  • Este documento, tratado como suspeito pela Justiça, apesar de datado retroativamente, somente foi apresentado três dias após a excursão.

Por conta disso, o juíz Rodrigo Pereira Angelim, do juíza do Especial da cidade de Eldorado Paulista entendeu que “se não poderia ir para a escola em 10 de Dezembro de 2016, pode-se concluir, com absoluta razão, que não poderia viajar para assistir, em um estádio, um jogo de futebol, na mesma data.”

“(…) não é crível que, porque deixou de ir ao jogo, houve danos psiquiátricos de tão alta monta. A simples vedação a ir a um jogo não pode gerar dano moral a uma criança”.

“Eduardo não poderia ir ao jogo porque estava machucado e não poderia ir à escola. Se não pode ir para a escola, obviamente que não pode ir a uma viagem assistir a jogo de futebol no estádio.”

Também que: “a vedação à viagem das crianças foi justa… “(…) a viagem é uma gratificação aos alunos que a merecem. No caso, foi vedada a ida ao jogo em razão da inexistência de merecimento, o que autoriza a vedação em questão e, de modo absoluto, nega a existência de dano moral”

O processo, então, foi sentenciado improcedente.

Inteligente, o leitor deste espaço há de formar opinião à respeito do episódio e, principalmente, as prováveis consequências futuras, contextualizando-as, talvez, com o que se observa na “fabricação” de brasileiros que podem executar tarefas importantes no futuro do país.

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