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Corinthians: Informe Trimestral do Arena Fundo protocolado na CVM tem 77% de despesas não comprovadas

Ricardo Corregio e Roberto Andrade em Itaquera

Na última semana, a BRL Trust, empresa que, apesar de recente renúncia, segue administrando o Arena Fundo de Investimentos FII (responsável pela gestão financeira do estádio de Itaquera, utilizado pelo Corinthians), protocolou na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) informe trimestral de despesas e receitas.

Há pouca renovação e transparência nos números.

No item que relaciona os gastos do FUNDO, R$ 1.921.560,39, de um total de R$ 2,5 milhões, são especificados no tradicional “outras despesas”, sem detalhamento de quais seriam os fornecedores, dados absolutamente necessários quando se lida com valores de terceiros.

77 % de tudo o que foi gasto em três meses.

Outros gastos que circulam na mesma conta, que merecem destaque, são:

  • R$ 39.594,91 com honorários advocatícios (sem citar o(s) escritório (s);
  • R$ 224.369,34 em Consultoria Especial (sem citar a empresa);
  • R$ 301.982,19 a título de Taxa de Administração (para a BRL Trust)

Há também a relevante indicação, no Item 1.1.2.1, de que o Arena Fundo é beneficiário de 100% de todas as receitas do estádio de Itaquera, informação destoante do discurso da diretoria do Corinthians, que evita, sempre que pode, tocar no assunto.

O Informe fala também sobre os controversos CIDs da Prefeitura, com os quais o Corinthians, à custa de fraude em parceria com a Odebrecht, foi beneficiado.

Se a informação original era a de que valeriam R$ 420 milhões (valor bruto), segundo o item 1.1.2.1.4 do documento apresentado à CVM, em 26 de novembro de 2013, o Corinthians cedeu os CIDs ao Fundo, amparado em parecer jurídico da empresa MAZARS CABRERA – Consultoria Contábil, localizada em São Paulo, próxima ao Teatro Municipal, com avaliação bem menor do que a divulgada: R$ 346.973.000,00, que foram permutados em cotas juniores do Fundo.

Ou seja, diferença de R$ 73.027.000,00.

A Mazars Cabrera, de origem no Reino Unido, é ligada à Nike (a quem assessora), empresa que fornece materiais esportivos ao Corinthians.

Destes CIDs repassados em 2013, levando-se em consideração a avaliação da consultoria, restam em poder do Arena Fundo, segundo o Item 1.2.1.3, que elenca “Outros Ativos Financeiros”, exatamente 7.466 certificados, correspondentes a R$ 308.392.906,90.

Portanto, R$ 38.580.093,10 devem ter sido comercializados (a informação precisa não consta no Informe).

Notícias divulgadas pela imprensa dão conta de que a Odebrecht, principal acionista do Fundo, teria se utilizado do montante para amortização de pendências fiscais.

Por fim, no Item 1.3, “Ativos para Liquidez”, R$ 274.144,15 estão disponíveis para eventualidades e R$ 5.116.211,24, aplicados em Fundo de Renda Fixa (não especificado).

O Conselho Deliberativo do Corinthians, clube responsável, contratualmente, por repassar os valores que sustentam o Arena Fundo, e também pela quitação do estádio de Itaquera, não teve, e provavelmente não terá (oficialmente) acesso às referidas prestações de contas (restritas ao Diretoria alvinegra e aos representantes da Odebrecht), razão pela qual sequer poderá questionar as evidentes omissões reveladas no documento apresentado.

Diferentemente destes, o leitor do Blog do Paulinho, sempre bem informado, acessará, na íntegra, clicando no link a seguir:

Informe Trimestral – Arena Fundo – junho 2017

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