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O promotor que quase dirigiu a base do Corinthians e o carro ‘surrupiado’

Nadir de Campos Junior fazendo campanha para Andres Sanches, em Marília/SP


Surrupiar:

Subtrair algo de alguém às escondidas; roubar.

(Surrupiar | Michaelis On-line (uol.com.br))


Nadir de Campos Junior, promotor público dos mais complicados, se não houver nova reviravolta de bastidores, entrará para a história como diretor das categorias de base com passagem mais curta pelo Corinthians.

Menos de 24 horas.

Seu nome chegou a figurar no site oficial, mas, após postagem do Blog do Paulinho revelando seus problemas, foi retirado.

Postagem do Blog do Paulinho derruba diretor da base do Corinthians antes dele assumir o cargo

Três foram os pontos cruciais do texto, que não pegaram bem para quem exerce a profissão de combatente da Lei:

  • obedecer os desejos de notório bicheiro, dono da chapa que o elegeu conselheiro;
  • as acusações de que teria fraudado eleição do MP-SP;
  • a revelação de condenação, em Marília/SP, por ‘surrupiar’ veículo de concessionária.

Se o promotor tivesse permanecido no cargo, o Corinthians teria seus dois principais cartolas do futebol, profissional e de base (Roberto Andrade e Nadir Junior), ironicamente acusados, na Justiça, de subtrair o que não lhes pertence em agências de automóveis.

Em Marília, Nadir é um nome com relativa força, parceiro de delegados de polícia e de alguns políticos locais.

Não por acaso, em 2014, largou seus afazeres como promotor público para circular com Andres Sanches, então candidato ao parlamento, pela cidade.

Esse ‘poder’ todo, por vezes, acaba por estimular tomadas de decisões equivocadas, como a ocorrida em julho de 2019, há pouco mais de seis meses, na concessionária CAOA do Município.


O ‘Golpe’ e a facilitação policial

No dia 18 de julho de 2019, o promotor Nadir de Campos Junior compareceu à concessionária CAOA, de Marília/SP, e solicitou um ‘test-drive’ no veículo Hyundai Creta, Placa BZA-6270, RENAVAM nº 1189484223, de cor prata, ano/modelo 2019/2019, Chassi 9BHGC813BKP123382.

O objetivo, aparentemente, era outro.

Nadir não apenas ‘surrupiou’ o veículo, como, em aparente acordo com o delegado Cleber Pinha Alonso, dirigiu até a Delegacia Seccional de Marília, mantendo consigo, quase como se fosse refém, o funcionário da CAOA Cristiano Gustavo, a quem, segundo os autos, teria impedido de sair do carro.

A justificativa para a atitude foi a de que a Concessionária estaria demorando para entregar um ‘HB-20’ comprado pela filha do promotor, Beatriz Rodriguez de Campos, razão pela qual estaria se ‘apossando’ do Creta.

Ao chegar na delegacia, Nadir estacionou no pátio, trancou o carro e se dirigiu ao delegado Cleber, contando o ocorrido e afirmando que não devolveria o bem à loja de automóveis.

Em vez de preso em flagrante, Nadir foi ‘amparado’.

O delegado afirmou ao Sr. Saulo Rodrigues de Souza, representante deslocado pela CAOA à delegacia, que ele deveria registrar ‘Boletim de Ocorrência’, mas que nada poderia ser feito para retirar o veículo do promotor.

Saulo reagiu dizendo que não havia atraso na entrega do carro à filha de Nadir, e, ainda que houvesse, a lei não permite esse tipo de conduta, em tese ilícita, de um membro do Ministério Público: “pois nada, nada!, lhe autorizaria a ingressar nas dependências da loja e apropriar-se de um veículo (de valor consideravelmente superior, ressalte-se) sob o pretexto de experimentá-lo em test-drive”

Cleber Pinha Alonso, o delegado, lavou as mãos.

Cleber Pinha Alonso e Geraldo Alckmin

Sem alternativa, o representante da CAOA lavrou o BO nº 7402/2019, assinado por outro delegado, Bolívar dos Santos Junior, que, tudo indica, sob orientação de Cleber Pinha Alonso, foi registrado, inusualmente, e sob contrariedade do declarante, como de natureza ‘não criminal’.

Para justificar o procedimento, a delegacia alegou que a polícia não era competente para apurar denuncias contra um procurador e que somente o MP-SP poderia fazê-lo.

Enquanto isso, impune, o promotor Nadir de Campos Junior entrou no veículo e levou-o embora para sua residência.


O processo

Em 19 de julho de 2019, um dia após o promotor Nadir apossar-se, indevidamente, de veículo da agência, além do tratamento suspeito na delegacia, a CAOA ingressou com ação judicial com pedido de liminar para reaver o bem ‘surrupiado’.

Na mesma data, o juiz Ernani Desco Filho, da 2ª Vara Cível de Marília, não apenas concedeu a antecipação de tutela como, diante da gravidade do ocorrido, oficiou à Polícia Militar a utilização de força para retomada no bem:

Horas depois, o veículo foi resgatado da residência de Nadir e entregue à CAOA:

Porém, apesar de, segundo relatou o oficial de justiça nos autos, o promotor, aparentemente, estar em casa – embora a informação fosse a de que não estava (seus veículos permaneciam estacionados na garagem), quem entregou as chaves do Creta foi um familiar de nome Rafael, o que acabou por impedir a citação do bacharel.

Por conta disso, a Justiça determinou nova ‘visita’ à residência de Nadir.

No dia 06 de agosto de 2019, enfim, o oficial de justiça Vladimir Clóvis Santander conseguiu citar o cartola alvinegro.

Diante do andamento processual, em 04 de outubro de 2019, o delegado Cleber Pinha Alonso, que, em tese, teria facilitado a vida de Nadir, enviou oficio à Justiça dizendo que o ‘atendimento’ ao promotor foi prestado na ‘informalidade’, não na condição de policial, razão pela qual justificava-se a lavratura do BO por outra autoridade policial.


A condenação

Quatro meses após o início do processo, em 09 de novembro, o juiz Ernani Desco Filho condenou Nadir a devolver a posse do veículo – que, efetivamente, já havia ocorrido por liminar – e também ao pagamento das custas processuais:

“Ante o exposto, julgo procedente o pedido formulado na inicial, para o fim de reintegrar a autora na posse do veículo em questão, tornando definitiva a liminar concedida, e improcedente a reconvenção, condenando o réu/reconvinte ao pagamento das custas, despesas do processo e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor atribuído à causa principal”

Se a punição, de fato, foi branda diante da gravidade do ato cometido, a condenação ficará registrada, servindo para enriquecer, ainda mais, o controverso currículo de Nadir de Campos Junior, a quem o presidente do Corinthians, Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves, queria entregar a gestão de garotos da base alvinegra, todos em formação como cidadãos e profissionais.

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