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Quebrando o tabu

Da FOLHA

Por BERNARDO MELLO FRANCO

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu a Michel Temer que desista de se agarrar à cadeira e faça um “gesto de grandeza” para abreviar a crise. Como o peemedebista se recusa a renunciar, FHC indicou uma saída honrosa: pedir a realização de novas eleições.

“Ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder, pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto”, avisou o tucano.

Num texto contundente, FHC disse que falta legitimidade a Temer e que o país está vivendo uma “quase anomia” (ausência de lei ou anarquia, na definição do “Houaiss”).

“Preferia atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando, será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular”, escreveu.

O tucano ainda mandou um recado a seu partido: “Se tudo continuar com a desconstrução contínua da autoridade, pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo”.

O texto de FHC é importante porque quebra um tabu. Desde o agravamento da crise, políticos, empresários e personalidades que apoiaram o impeachment rejeitam a ideia de novas eleições. A justificativa mais usada é que isso abriria caminho ao retorno de Lula pelo voto popular.

Para evitar uma volta do PT, seria preferível tapar o nariz e apoiar uma eleição indireta ou a permanência de Temer até 2018. O discurso ignora o alto índice de rejeição ao ex-presidente, mas tem ajudado a bloquear um debate que incomoda o governo.

Nesta quinta, a professora Janaina Paschoal reforçou a pregação contra as diretas. “Viram FHC trabalhando por Lula de novo?”, perguntou, no Twitter, após recomendar uma receita de strudel. Parece um bom momento para o eleitor do PSDB refletir: é melhor ouvir o ex-presidente ou repetir as teses da doutora?

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4 Respostas to “Quebrando o tabu”

  1. Nelson Coutinho Says:

    Depois de apoiarem a retirada de um presidente que moral podem ter?
    E : http://www.jb.com.br/pais/noticias/2017/06/15/levantamento-de-agencia-de-checagem-mostra-contradicoes-de-fhc/

  2. Jose Paulo Says:

    Ouvir a Janaína não é importante, mas respeitar a Constituição, que impede eleição agora (e isso não pode ser mudado nem por emenda), é.

  3. Elio Floriano Says:

    Só tem uma forma, sem rasgar a Constituição, de haver novas eleições. Temer teria de renunciar ou ser cassado, o que não vai acontecer, e as “novas eleições” teriam de ser INDIRETAS!

    E ELEIÇÕES INDIRETAS, com esse Congresso corrupto que está aí, é a pior opção neste momento.

    Melhor aguentar o Temer até 2018.

    FHC, há tempos, se transformou num protetor do seu parceiro de panfletagens no ABC, vulgo Lula, aquele que não tem nada e não sabe de nada.

    Não merece qualquer consideração pelo que fala e sugere, pois se transformou num capacho gagá do chefe da ORCRIM…

  4. Bruno de Melo Says:

    Paulinho, não existe tese de não fazer diretas porque Lula voltaria. A taxa de eleitores do Lula na pesquisa traz uma taxa de rejeição que fica impossível ele vencer uma eleição. Ess papo de evitar diretas por medo de Lula voltar ao poder é coisa de petista alienado, daqueles bem CUT da vida. A questão é Constituição.

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