Gaviões da Fiel eram parceiros dos desvios de Andres Sanchez no Corinthians – e não apenas dele

Faz alguns dias, com a cara de pau que lhe é peculiar, os Gaviões da Fiel iniciaram uma espécie de contagem regressiva, nas redes sociais, para a expulsão de Andres Sanchez do Corinthians.
No próximo dia 25, o ex-presidente será julgado no Conselho Deliberativo sob acusação de desviar dinheiro dos caixas alvinegros.
É justo que aqueles que sempre se mantiveram — quando não denunciando, ao menos à margem da atuação do cartola — ou os que, porventura, menos informados ou mais ingênuos, tenham acreditado em seu discurso populista, ambicionem a punição.
A ‘organizada’, não.
Os Gaviões deveriam, se possível fosse, estar dividindo o banco dos réus com o dirigente.
Chegaram a aceitar, como espécie de “cala-boca”, a renda integral de uma partida do Corinthians no estádio Brinco de Ouro da Princesa, quando o clube já enfrentava problemas financeiros e Sanchez era reiteradamente desmascarado por este blog.
Outros mimos e acertos diversos fizeram a alegria da facção e de seus dirigentes ao longo dos anos.
Parceria que durou até o fim da gestão Duílio ‘do Bingo’, rompida apenas quando se tornou notório que a Renovação e Transparência perderia as eleições para Augusto Melo, que, imediatamente — apesar de tudo o que já se sabia sobre ele, e não era pouco —, tornou-se o “novo amor” dos Gaviões.
Neste caso, com direito a declaração pública de apoio e, após a vitória nas urnas, ao tradicional toma-lá-dá-cá de cargos, empregos e muito dinheiro, disfarçados na gestão de um camarote do estádio de Itaquera e no “patrocínio”, em conjunto com o clube, da Vai de Bet — que, depois do escândalo que tornou dirigentes do Corinthians réus por associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado, “migrou” para a Esportes da Sorte.
A facção permaneceu com Melo até o derradeiro minuto do impeachment, sem se importar com os assaltos a ele atribuídos.
Agora, como de hábito, chutou o ex-parceiro e aliou-se ao presidente de plantão, desta feita, Osmar Stabile.
Há alguns dias, o presidente dos Gaviões deixou-se fotografar abraçado não apenas com ele, mas também com o vice Armando Mendonça, acusado de operar esquema de desvios de materiais esportivos no Parque São Jorge.
Acreditar nessa gente, diante de tantas provas de deslealdade, é atestar a própria estupidez.
Ou, por engajamento — no caso de influencers e jornalistas —, tratá-los como decentes é mentir deslavadamente para incautos que confundem as cores da “organizada” — que bem poderia incluir o verde, adversária que é da agremiação — com as do Corinthians, também lesado por eles.
Sanchez tem de ser expulso do clube porque, comprovadamente, aprontou.
Mas é preciso tomar muito cuidado com os que agora querem pegar carona nessa agenda, muitos deles cúmplices do cartola, desde os desqualificados Gaviões até grupos políticos que, de tão imorais, não se constrangem em recontar a história retirando-se dela, como se jamais tivessem participado.
