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Descaso com o futebol feminino continua evidente no Brasil

Cristiane durante treino da seleção brasileira feminina

Da FOLHA

Por EDGARD ALVES

Seleção brasileira que disputa a Copa América some do noticiário no país

O futebol feminino continua em segundo plano no Brasil. Neste momento, acontece no Chile a disputa da Copa América, torneio que oferece vagas para o Mundial-2019, na França, para a Olimpíada-2020, em Tóquio, e para o Pan-2019, no Peru.

seleção brasileira, cotada como favorita —arrebatou seis títulos de campeã nas sete Copas realizadas—, já acumula duas vitórias no seu grupo no torneio em andamento, mas quase nada repercute no Brasil.

O noticiário sobre a seleção é escasso, mostra evidente desinteresse dos meios de comunicação pelo futebol feminino. Será que o torcedor tem avaliação semelhante? Por que faltam patrocinadores?

A CBF, por sua vez, não parece motivada a incentivar uma campanha para reverter esse quadro. A entidade apenas relata em seu site as atividades básicas do time na competição.

Eventos de porte, paradoxalmente, como Olimpíada e Mundial, são palcos espetaculares para o futebol feminino. Empolgam os esportistas e os meios de comunicação. Como pôde ser observado na Rio-2016, mesmo não chegando na decisão do título, a equipe nacional atraiu a atenção dos torcedores e da mídia em geral.

O torneio de futebol feminino foi introduzido na Olimpíada em 1996. Apenas EUA (quatro vezes), Noruega e Alemanha (uma cada) ganharam medalha de ouro. Entretanto, a participação brasileira no evento ocupa posição de destaque.

A seleção ganhou a prata olímpica em duas oportunidades (2004 e 2008). Na Olimpíada do Rio terminou em quarto lugar ao perder a disputa da medalha de bronze para o Canadá. Embora sem ouro, o retrospecto acabou em alta, mantido por boas atuações. No Mundial mais recente, foi eliminada nas oitavas.  Mas acumula um bronze e uma prata (1999 e 2007, respectivamente) na competição. Como explicar o desinteresse?

Não há uma causa definida. As disputas nacionais dão uma ideia das dificuldades. A Confederação Brasileira de Futebol não dirige ao setor feminino cuidados semelhantes aos que dispensa ao masculino. Não se trata aqui de atribuir um peso igual. A relevância do futebol masculino é incomparável e sua grandeza desproporcional.

Trabalhar com o masculino é tarefa sem obstáculos, com o interesse que desperta nos torcedores, na mídia e nos investidores. No feminino, esses pontos ainda continuam frágeis. Daí a necessidade de maior empenho e criatividade.

O futebol feminino brasileiro, por exemplo, está sem a sua principal competição há nove meses, revelou reportagem recente de Luiz Cosenzo nesta Folha, com reclamações das equipes apontando que a ociosidade atrapalha o planejamento e o crescimento da modalidade no país.

O campeonato da série principal começará no próximo dia 25. Neste ano, a elite terá seis meses de duração, contra quatro em 2017, enquanto a Série A2 completará seus jogos em cerca de quatro meses. Como assegurar verba para cobrir ao menos a folha de pagamento dos times durante o ano?

Missão desafiadora, quase impossível. Para garantir o sustento, as jogadoras são forçadas a recorrer a um emprego paralelo, que nada tem a ver com futebol. É jornada dupla e pesada. Só assim conseguem correr atrás de oportunidade no futebol, a principal paixão esportiva no Brasil.

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