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Novo projeto editorial da FOLHA mascara atentado ao jornalismo

A FOLHA lançou, durante a semana, novo projeto Editorial que servirá de parâmetro para futuras publicações de seus veículos, e, em regra, costuma ser adotado como exemplo em faculdades de jornalismo.

Trata-se de tentativa de adequar-se aos novos tempos.

Há uma preocupação evidente em aproximar-se da linguagem e procedimentos do mundo da internet, dissociando-se porém, acertadamente, da “esgotosfera”, criada por espertalhões que vendem-se como veículos de imprensa sem o compromisso de repassar a notícia verdadeira, apenas de lucrar com os cliques gerados pelas manchetes sensacionalistas.

Boa parte destas novas definições de conduta da FOLHA, apesar da boa vontade, trata-se de releituras de princípios básicos do jornalismo, escritos com outras palavras, mas certamente conhecidas de profissionais da área, sejam os mais novos e os já tarimbados.

O grande problema é a “pegadinha”.

Em determinado trecho, a FOLHA permite “comercialização de conteúdos patrocinados, financiados por anunciantes ou parceiros, desde que a natureza publicitária do produto seja transparente para o leitor e não haja envolvimento da Redação na confecção”.

Ou seja, a famosa “matéria paga”, que difere dos anúncios tradicionais (necessários), inseridos em locais pré-determinados, impedindo que se confundam com reportagens verdadeiras .

Dizer que não haverá envolvimento da Redação (só faltava haver) é esconder que a publicação, provavelmente escrita sem os procedimentos propostos pela FOLHA em seu novo “projeto Editorial”, será formulada por jornalistas de assessorias de imprensa de empresas, em textos que pouco se preocuparão em distorcer a realidade do leitor, e que estas matérias, para boa parte do consumidor de notícias do jornal (que é leigo em separar o que é editorial do material publicitário) entenderá tratar-se de produto do jornal, e não financiado por terceiros.

O erro, grave, é justificado pela necessidade de arrecadação para manter circulando nas bancas, na internet e nas demais mídias o conteúdo da empresa, porém, não deve ser a toa que esse tipo de “matéria” custa mais para o anunciante, e, em verdade, se no primeiro momento preenche os caixas do jornal, a longo prazo mina a credibilidade de quem dela necessita para manter e ampliar o número de leitores.

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