Corinthians, União dos Vitalícios e a fraude da gestão Osmar Stabile

Ontem, o ‘Sport Insider’ revelou que o Corinthians pagou R$ 676 mil para uma empresa fajuta: a ‘Mega Assessoria Operacional Ltda.’, constituída em 3 de julho de 2025, quatro meses após a posse do presidente Osmar Stabile.
Os aportes foram justificados por meio de três notas fiscais, de numerações 01, 02 e 03, emitidas num período de 40 dias — entre 11/09 e 21/10 —, nos valores de R$ 244.627,66, R$ 208.350,00 e R$ 223.650,00.
O proprietário da empresa é Fernando José da Silva, vulgo Nandão, funcionário do Corinthians.

Procurado pela Insider, o sujeito apresentou duas versões.
Em ambas, afirmou que a criação do CNPJ teve como objetivo pagar PMs que atuariam na segurança do clube, em caráter emergencial: na primeira, a pedido do diretor Fábio ‘do Açaí’ Soares; na outra, do próprio Stabile.
Alguns fatos, porém, chamam a atenção.
Uma das notas pagas pelo clube — a terceira — sequer aponta o Timão como tomador dos serviços.
Criativamente, foi emitida pela própria ‘Mega’ contra a própria ‘Mega’, numa fraude escandalosa que, ao que tudo indica, não é a única irregularidade envolvida neste negócio, como revelaremos a seguir.
O responsável por avalizar os documentos que circulam no Corinthians é o Conselho Fiscal, presidido, apesar de formalmente afastado do cargo, por Haroldo Dantas, advogado de Stabile.
Não à toa, Dantas e Nandão, investigador e investigado, podem ser vistos frequentemente juntos em camarotes da Arena de Itaquera.


UNIÃO DOS VITALÍCIOS
Fernando José da Silva, 58 anos, é apadrinhado pelo grupo União dos Vitalícios, tendo concorrido, nas eleições que alçaram Augusto Melo ao poder, pela chapa ‘União 88’, bancada financeira e politicamente, sobretudo, pelos conselheiros Paulo Garcia, Fran Papaiordanou e Miriam Athiê.
Seu núcleo no PSJ é o do Tamboréu, departamento conhecido pela comercialização de votos em pleitos alvinegros.

O ESQUEMA DA CONTABILIDADE
No endereço listado na Junta Comercial como sede da ‘Mega’, Rua Professora Maria José Barone Fernandes, 189, funciona, na verdade, a ‘Contábil Martins’, de propriedade de Oswaldo Donizeti Martins, parceiro de Stabile.
Ou seja, outra fraude.
Ampliada e escancarada no documento oficial da empresa, em que Martins assina como contador responsável.



Curiosamente, a ‘Mega Assessoria’ está localizada quase ao lado da ‘Bend Steel’, empresa de Osmar Stabile, separadas apenas pela Via Dutra, que corta a Vila Maria e o Parque Novo Mundo.

Urge investigação.
Quem autorizou o Corinthians a pagar as notas fiscais, uma delas sequer emitida em nome do clube?
Alguém embolsou dinheiro sem prestar o serviço ou recebeu percentual pela intermediação da contratação dos seguranças?
Seria Nandão o ‘Cassundé’ da gestão Stabile?
É fato que, diante dos documentos expostos pela ‘Insider’, somados às evidências demonstradas pelo Blog do Paulinho, em um ambiente minimamente sério todos os envolvidos seriam punidos.
O presidente e o diretor apontados como mandantes, o funcionário que se prestou à fraude e também o conselheiro fiscal que chancelou a patifaria.



