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Contadores condenam manobra de ex-financeiro no balanço do Corinthians

raul relatório

Recentemente, o diretor de finanças do Corinthians, Emerson Piovesan, em documento oficial protocolado no Conselho Deliberativo do clube, afirmou que as contas alvinegras do exercício 2014, aprovadas em 2015, de responsabilidade de seu antecessor, Raul Corrêa da Silva, estavam “maquiadas”.

Diz trecho do texto:

“(…) decidiu-se na gestão anterior pelo valor de constituição das cotas da Arena Corinthians (Arena Fundo de Investimento Imobiliário – FII) como receita direta nas demonstrações financeiras, afetando, consequentemente, o resultado do exercício, pelo exato valor da constituição do Fundo”.

“Entretanto o procedimento correto – conforme determina a legislação contábil – é efetuar o registro destes valores diretamente em conta de patrimônio líquido, classificando tal registro com a natureza de subvenções, uma vez que o ativo produzido pelas cotas do Arena Fundo representam a incorporação de ativo ao patrimônio do clube, não gerando, portanto, nenhuma receita.”

“Tal prática contábil – o registro em resultado do exercício – produziu em 2014 a informação de um superavit no valor de R$ 230,561 milhões”

“Após o ajuste contábil, determinado por esta diretoria atual, o valor efetivo para 2014 representou um deficit no montante de R$ 97,084 milhões”

Raul se defendeu, semana passada, também em ofício ao Conselho, com as seguintes alegações:

“O registro contábil das cotas de titularidade do SCCP no Arena Fundo de Investimentos Imobiliários observou estritamente a “Estrutura Conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis”, definida na resolução nº 1374/2011 do Conselho federal de Contabilidade, e o pronunciamento do CPC 30, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis”.

O ex-diretor alvinegro chegou a tratar Piovesan como “leigo” no assunto, dizendo que “falava bobagens” por não se tratar de “contador”.

Diante deste impasse, procuramos três contadores, que, gentilmente, emitiram suas opiniões sobre o assunto.

Profissional da contabilidade em multinacional do setor alimentício diz:

“O erro do Raul Corrêa é claro: em primeiro lugar ele trata as cotas que o Corinthians tem na Arena como “cotas seniores”, quando em verdade são as “juniores”, sem poder decisório algum. Além disso, é óbvio que o clube não pode tratar como Receita um bem que, obviamente, não tem intenção de comercializar”

“Desde quando o Corinthians tem a intenção de vender o estádio? Não tem. Por isso o Emerson tem razão em registrar as cotas como Patrimônio Líquido, vez que estes títulos ainda necessitam ser quitados (ou seja, representam mais despesas do que receitas) e não poderão ser vendidos (se vendidos, não poderão gerar, futuramente, caixa ao Corinthians)”

Hilton Anjos, contador e consultor de empresas há algumas décadas, também opinou:

“A brecha que o Raul encontrou na legislação para fechar a contabilidade do Corinthians ainda carece de parecer da CVM”

“Pode até existir interpretação que favoreça a lógica do Raul, mas não deveria ser utilizada no caso do Corinthians… no futuro poderá até gerar conflito judicial”

“Não digo que o Raul errou, mas que se utilizou de manobra para atingir seus objetivos, que eram, tudo indica, esconder o deficit”

“Ele cita (na resposta ao CD do Corinthians) o CPC e a resolução, sem aprofundar-se (são textos imensos) ou especificar qual a fundamentação de seus argumentos, talvez contando que os conselheiros (leigos) não se darão ao trabalho de consultá-los”

“O Emerson tem a visão do economista, que também está correta, sobre gerar caixa, etc., enquanto o Raul trabalha como contabilista”

Por fim, em parecer mais incisivo, o terceiro profissional, ouvido pelo blog, disparou:

“Isso daí (a tese do Raul), ele inventou… não existe isso daí… não existe CPC pra isso…”

“É patrimônio mesmo… ele inventou isso daí de colocar na Receita… somente depois que o patrimônio for inteiramente do Corinthians se tornará um Ativo”

“Aquilo não virou dinheiro… é um lucro que não dá caixa”

“É a mesma coisa de colocar um imóvel como Receita… o imóvel é um ativo imobilizado no Balanço… no caso do Corinthians, “Cotas”, em que o clube, a medida em que for pagando (quitando), vai adquirindo”

“Imagine se o Corinthians fosse uma empresa S/A (Sociedade Anônima)… os acionistas observando aquele lucro… esperando um pouco de distribuição, sem a menor possibilidade de recebe-lo (o lucro)… é um negócio estranho… nunca vi isso”

“Se é um contador comum que faz isso é expulso do CRC”

“Se o cara faz isso numa empresa privada, ele responde no CRC até… numa S/A, por exemplo, que é bem fiscalizada… o cara (contador) se ferra bonito”

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Uma resposta to “Contadores condenam manobra de ex-financeiro no balanço do Corinthians”

  1. Arena Fundo, gestora do estádio em Itaquera, desmente ex-diretor financeiro do Corinthians | Blog do Paulinho Says:

    […] Por fim, o Fundo diz que o Corinthians sequer é proprietário do imóvel em que foi erguido o estádio de Itaquera, nem  detém o direito real de uso (cedido aos gestores), jogando por terra qualquer possibilidade de integralizar o estádio como patrimônio alvinegro, “gerador de Receitas”, como fez Raul Corrêa, equivocadamente, segundo a opinião não apenas do atual diretor, Emerson Piovesan, mas também de três contadores ouvidos pelo blog (https://blogdopaulinho.com.br/2017/03/06/contadores-condenam-manobra-de-ex-financeiro-no-balanco-do-…): […]

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