A grandeza de Meryl Streep

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A magnífica Meryl Streep, das maiores atrizes de todos os tempos, indicada ao Oscar em 19 oportunidades, destas, vencedora de três estatuetas por “A Dama de Ferro”, Kramer vs. Kramer” e “A escolha de Sophia”, emocionou a parte decente do planeta ao contrapor-se a Donald Trump, em discurso histórico na entrega do prêmio Globo de Ouro.

Os principais trechos:

“De modo que Hollywood está cheia de estrangeiros e forasteiros, e se querem expulsar todos nós vão ficar sem nada para ver além de futebol americano e artes marciais mistas, que NÃO são artes…”

“O único trabalho de um ator é entrar na vida de pessoas que são diferentes de nós e deixar você sentir como é isso. E houve neste ano muitas atuações poderosas que conseguiram justamente isso”.

“Mas houve uma atuação neste ano que me impactou, que mexeu com o meu coração. Não por ter sido boa, não tinha nada de boa, mas era eficaz e funcionou. Fez a plateia a que se destinava rir e mostrar os dentes. Foi aquele momento em que a pessoa que pedia para se sentar na cadeira mais respeitável do nosso país imitou um repórter deficiente. Alguém a quem ele superava em termos de privilégio, poder e capacidade de se defender. Isso me partiu o coração. Ainda não consigo tirar aquilo da cabeça, porque não era um filme. Era a vida real.”

“E esse instinto de humilhar, quando modelado por alguém na plataforma pública, por alguém poderoso, se filtra na vida de todo mundo, porque de certa forma dá permissão para que outras pessoas façam o mesmo. Desrespeito atrai desrespeito. A violência incita a mais violência. Quando os poderosos usam sua posição para abusar de outros, todos perdemos…”

“Isto me leva à imprensa. Precisamos que a imprensa com princípios exija responsabilidade do poder, que o chame às falas por cada atrocidade que cometer. Por isso, os fundadores do nosso país protegeram a imprensa e suas liberdades na Constituição. Assim, só quero pedir à rica Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood e a todos que pertencemos a esta comunidade que se unam a mim no apoio ao comitê para a proteção dos jornalistas. Porque vamos precisar deles daqui por diante. E eles vão precisar de nos para salvaguardar a verdade”

Trump rebateu, horas depois, tentando, como é de hábito entre os seus, desqualificar a interlocutora, mas, com a falta de bom senso que lhe é peculiar, o fez exatamente no âmbito em que Streep é imortal, o da atuação como atriz, esquecendo-se ainda que, tempos atrás, havia escolhido-a como uma de suas artistas prediletas.

Meryl demonstrou, corajosamente, quase que o impossível: ser ainda maior como ser humano do que o Mito de sua existência artística.

Íntegra do discurso de Meryl Streep

Muito obrigada, muito obrigada. Sentem-se, por favor. Obrigada. Amo vocês. Vocês vão ter que me desculpar. Perdi a voz gritando e me lamentando no fim de semana. E perdi a cabeça em algum momento neste ano. Então terei que ler.

Obrigada à Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood. Para seguir linha do que disse Hugh Laurie, nós, todos os presentes, pertencemos a um segmento vilipendiado da população. Pensem nisso: Hollywood. Estrangeiros. E a imprensa. Mas quem somos nós? O que é Hollywood? É um grupo de gente que vem de todas as partes. Eu nasci, cresci e me eduquei nas escolas públicas de Nova Jersey. Viola [Davis] nasceu numa cabana da Carolina do Sul e cresceu em Central Falls, Long Island. Sarah Paulson nasceu na Flórida e foi criada por sua mãe solteira no Brooklyn. Sarah Jessica Parker era uma de sete ou oito filhos em Ohio. Amy Adams nasceu na Itália, e Natalie Portman, em Jerusalém. Onde estão suas certidões de nascimento? E a linda Ruth Negga nasceu na Etiópia, cresceu em Londres. Não, na Irlanda, me parece. Está aqui indicada por fazer o papel de uma garota de um povoado da Virgínia. Ryan Gosling, como todas as pessoas mais amáveis, é canadense. E Dev Patel nasceu no Quênia, cresceu em Londres e está aqui por fazer o papel de um indiano que vive na Tasmânia…

De modo que Hollywood está cheia de estrangeiros e forasteiros, e se querem expulsar todos nós vão ficar sem nada para ver além de futebol americano e artes marciais mistas, que NÃO são artes… Me deram três segundos para dizer isto… O único trabalho de um ator é entrar na vida de pessoas que são diferentes de nós e deixar você sentir como é isso. E houve neste ano muitas atuações poderosas que conseguiram justamente isso. Um trabalho assombroso e feito com compaixão.

Mas houve uma atuação neste ano que me impactou, que mexeu com o meu coração. Não por ter sido boa, não tinha nada de boa, mas era eficaz e funcionou. Fez a plateia a que se destinava rir e mostrar os dentes. Foi aquele momento em que a pessoa que pedia para se sentar na cadeira mais respeitável do nosso país imitou um repórter deficiente. Alguém a quem ele superava em termos de privilégio, poder e capacidade de se defender. Isso me partiu o coração. Ainda não consigo tirar aquilo da cabeça, porque não era um filme. Era a vida real.

E esse instinto de humilhar, quando modelado por alguém na plataforma pública, por alguém poderoso, se filtra na vida de todo mundo, porque de certa forma dá permissão para que outras pessoas façam o mesmo. Desrespeito atrai desrespeito. A violência incita a mais violência. Quando os poderosos usam sua posição para abusar de outros, todos perdemos…

Isto me leva à imprensa. Precisamos que a imprensa com princípios exija responsabilidade do poder, que o chame às falas por cada atrocidade que cometer. Por isso, os fundadores do nosso país protegeram a imprensa e suas liberdades na Constituição. Assim, só quero pedir à rica Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood e a todos que pertencemos a esta comunidade que se unam a mim no apoio ao comitê para a proteção dos jornalistas. Porque vamos precisar deles daqui por diante. E eles vão precisar de nos para salvaguardar a verdade.

Só mais uma coisa. Certa vez, eu estava parada num set de filmagem me queixando de alguma coisa, horas extras, algo assim. Tommy Lee Jones me disse: “Não é um privilégio, Meryl, simplesmente ser ator?”. Sim, é mesmo. E precisamos recordar uns aos outros sobre o privilégio e a responsabilidade do ato da empatia. Devemos estar orgulhosos do trabalho que Hollywood homenageia nesta noite.

Como minha querida amiga, a recém-falecida Princesa Leia, me disse certa vez: “Pegue seu coração partido e o transforme em arte”. Obrigada.

6 Respostas to “A grandeza de Meryl Streep”

  1. Elio Floriano Says:

    Desculpe discordar, mas Dona Meryl só falou o que falou porque está magoadinha com a derrota de sua amiga Hillary.

    Ela fala que Trump praticou bullying contra um repórter deficiente físico, mas ela própria, durante a campanha eleitoral se “fantasiou” de Trump só para avacalhar o candidato Trump…Isso, partindo de uma pessoa pública e famosa, não é bullying também? Se o bullying de Trump incita violência e intolerância, será que o bullying de Dona Meryl também não incita?

    A afirmação de Dona Meryl de que sem os estrangeiros não haveria artes e os americanos só assistiriam MMA e Futebol Americano, além de ofensiva aos próprios atores americanos, subliminarmente taxados de incompetentes, é uma grande mentira de que Trump quer expulsar todos os estrangeiros…Trump anunciou que expulsaria todos os estrangeiros que estivem ilegalmente nos EUA…Será que há atores estrangeiros ilegais nos EUA?

    Gosto de seus textos e das suas abordagens sobre a maioria dos temas abordados aqui no blog, mas, neste caso, você abordou este assunto não como jornalista profissional, e sim como um amador, que não gosta (e tem o direito de não gostar) do Trump e, por conclusão lógica, é um torcedor/apoiador de Hillary…

    Tente ser mais isento, mais profissional…

  2. Gustavo K (@guslk) Says:

    Desonestidade intelectual TOTAL esse discurso dela, e me admira muito vc repetir esse discursinho frouxo e mentiroso dela Paulinho. Perdeu meu respeito, não que isso represente muito. Inclusive na próxima vez tenha um pouco de vergonha na cara. Abraços.

  3. Douglas (@douglaspsousa) Says:

    Grandeza?!?!? Falando para seus amiguinhos e ainda com uma farsa….Parabéns aos envolvidos!!

  4. Luiz Carlos Luchetta Says:

    Esse discurso dela envergonhou até jornalistas de extrema esquerda. Dizer que milionários artistas são classe perseguida é coisa de gente desonesta.
    Fora todas as outras patacoadas.
    Dois links refutando as barbaridades ditas pela atriz. Tem muitos outros na internet.
    http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/as-provas-das-mentiras-de-meryl-streep-contra-donald-trump/

    http://www.ceticismopolitico.com/esquerdista-piers-morgan-fica-envergonhado-com-narrativa-de-meryl-streep-foi-a-pior-performance-de-sua-carreira/

  5. Renato (@galenoeu) Says:

    Pessoal, o Paulinho é mais um jornalista brasileiro, a maioria deles são, estatólatra que se deixa levar por um comportamento fajuto de “justiceiro social”.

    Ainda bem que o jornalista está morrendo, graças a internet.

    Ainda bem que não vamos mais perder tempo com jornalistas que se dizem imparciais, mas são os mais parciais que existem.

    Muitos Jornalistas são tão parciais que chegam a ser militantes infantis.

  6. Renato (@galenoeu) Says:

    Onde se lê: “Ainda bem que o jornalista está morrendo, graças a internet.”

    é Ainda bem que o JORNALISMO está morrendo, graças a internet.

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